Os serviços secretos militares da Ucrânia alertaram esta sexta-feira para uma intensificação dos ataques russos com drones contra infraestruturas civis e meios de transporte nas zonas próximas da linha da frente e da fronteira.
Segundo a Direção Principal de Informações do Ministério da Defesa ucraniano, conhecida pela sigla HUR, unidades russas terão recebido ordens para atacar especificamente postos de combustível, camiões, autocarros e automóveis.
“As unidades do exército de ocupação russo receberam ordens para intensificar os ataques com drones contra infraestruturas civis e transportes nas zonas da linha da frente e nas regiões fronteiriças”, afirmou o organismo numa atualização divulgada esta sexta-feira.
Kiev aponta resposta russa aos ataques contra a retaguarda
Na avaliação dos serviços secretos ucranianos, a nova campanha poderá ser uma resposta ao aumento dos ataques de médio alcance realizados por Kiev contra estruturas logísticas russas situadas na retaguarda e utilizadas para abastecer os territórios ocupados da Ucrânia.
O HUR atribui a liderança da operação à unidade de drones russa Rubikon, considerada uma das formações de elite de Moscovo neste domínio. A campanha contará também com o apoio de operadores pertencentes a outras unidades do exército russo.
As autoridades ucranianas consideram que estes ataques representam “uma ameaça real para a população civil” e apelaram aos habitantes das regiões afetadas para que procurem abrigo sempre que sejam emitidos alertas aéreos.
Drones controlados em tempo real procuram alvos móveis
De acordo com o HUR, as forças russas planeiam recorrer sobretudo a drones controlados em tempo real, capazes de transmitir imagens aos operadores e de localizar alvos móveis durante o voo.
Este tipo de equipamento distingue-se dos drones de longo alcance, como os Shahed, que seguem habitualmente coordenadas previamente definidas.
Entre os sistemas identificados pelos serviços secretos ucranianos encontram-se os Molniya-1, Molniya-2, Geran-Seeker, Gerbera-Seeker, Lancet e V2U, além de outros aparelhos com características semelhantes.
A utilização destes drones permite aos operadores procurar veículos e infraestruturas no terreno antes de decidirem o momento e o local do ataque.
HUR denuncia ataques contra as próprias forças russas
Os serviços secretos ucranianos afirmam ainda que a campanha já terá provocado incidentes de fogo amigo, atribuindo os erros ao reduzido nível de preparação de algumas equipas russas.
Num dos casos relatados por Kiev, operadores do 1427.º Regimento de Infantaria Motorizada russo terão perdido a orientação e dirigido um drone Molniya-2 contra um veículo UAZ Bukhanka utilizado pelas próprias forças russas, nas proximidades de Glushkove, na região russa de Kursk.
O aparelho não atingiu o veículo e explodiu a cerca de dez metros de distância, segundo o relato do HUR.
Estas informações não puderam ser verificadas de forma independente.
Ucrânia acusa Moscovo de preparar operações de bandeira falsa
O HUR acusou também os serviços secretos russos de organizarem ataques em regiões fronteiriças da Rússia para posteriormente responsabilizarem as forças ucranianas.
Segundo Kiev, estas ações teriam como objetivo alimentar a propaganda do Kremlin, desacreditar a Ucrânia e reforçar junto da população russa a narrativa de que o país está sob ameaça constante.
As autoridades ucranianas referem como possível exemplo um incidente ocorrido em junho, quando um autocarro que transportava uma equipa infantil de futebol da Bielorrússia foi atingido na região russa de Bryansk.
Moscovo responsabilizou drones ucranianos pelo ataque. Kiev rejeitou a acusação e classificou o episódio como uma possível operação de bandeira falsa.
Tensão cresce junto às regiões fronteiriças
O incidente ocorreu num contexto de sucessivos alertas ucranianos sobre alegadas tentativas russas de envolver mais diretamente a Bielorrússia na guerra.
Com o aumento da utilização de drones de curto e médio alcance, as zonas fronteiriças e as localidades próximas da frente tornaram-se particularmente vulneráveis. Veículos civis, transportes públicos e infraestruturas essenciais podem ser atingidos por aparelhos comandados por operadores que acompanham os movimentos no terreno em tempo real.
O alerta agora divulgado pelo HUR reforça os receios de que a guerra de drones esteja a entrar numa nova fase, marcada por ataques mais seletivos, móveis e difíceis de antecipar — e com riscos acrescidos para quem continua a viver e a circular nas regiões mais próximas dos combates.



















