Rússia bombardeia Kiev horas antes da última visita de Starmer como primeiro-ministro

Presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou as duas mortes e indicou que outras seis pessoas ficaram feridas, entre as quais um jovem de 16 anos

Francisco Laranjeira

A Rússia voltou a bombardear Kiev esta quinta-feira, num ataque que matou pelo menos duas pessoas e ocorreu poucas horas antes da chegada do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à capital ucraniana para a sua última visita ao país enquanto chefe do Governo do Reino Unido.

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Segundo o ’20 Minutos’, o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou as duas mortes e indicou que outras seis pessoas ficaram feridas, entre as quais um jovem de 16 anos.

Starmer chegou de comboio à capital ucraniana depois de uma viagem noturna a partir do Reino Unido. De acordo com a agência ucraniana ‘UNN’, que cita a ‘Sky News’, foi recebido pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Yevhen Perebyinis, e pela diretora de Protocolo, Olena Yalova.

A chegada ocorreu apenas algumas horas depois dos ataques russos contra Kiev, num momento em que Starmer se prepara para abandonar Downing Street e quis deslocar-se pessoalmente à Ucrânia para uma última reunião com o presidente Volodymyr Zelensky.

Esta foi a terceira visita de Starmer a Kiev desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro. A deslocação deverá servir para reafirmar que o apoio britânico à Ucrânia continuará apesar da saída do governante.

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A Força Aérea ucraniana afirmou que a Rússia lançou 13 mísseis, munições de ataque Banderol e 146 drones contra o território ucraniano durante as últimas horas.

As defesas aéreas terão intercetado três mísseis e 129 aeronaves não tripuladas. Ainda assim, seis mísseis, incluindo cinco projéteis balísticos, e 16 drones atingiram 15 locais, enquanto destroços resultantes das interceções caíram noutros sete pontos.

Zelensky aproveitou a visita do primeiro-ministro britânico para voltar a pedir aos aliados que acelerem o envio de sistemas e munições de defesa aérea. O presidente ucraniano afirmou que este foi já o sexto ataque com mísseis balísticos contra Kiev durante o mês de julho.

“Moscovo está a recorrer ao terror com mísseis balísticos e continua os seus ataques”, declarou Zelensky, defendendo que tudo o que foi acordado com os parceiros internacionais deve chegar dentro dos prazos estabelecidos.

Segundo a ‘UNN’, Starmer deverá garantir a Zelensky que o Reino Unido manterá o apoio militar à Ucrânia, incluindo a disponibilização de três mil milhões de libras por ano enquanto for necessário.

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O primeiro-ministro britânico deverá também destacar o papel de Londres na coligação de 34 países dispostos a apoiar Kiev, assim como a liderança britânica no Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, responsável pela coordenação das doações militares.

Antes da viagem, Starmer afirmou estar orgulhoso do contributo britânico e garantiu que o trabalho desenvolvido nos últimos dois anos continuará. O governante tem procurado apresentar o apoio à Ucrânia e o reforço da cooperação europeia em matéria de defesa como uma das principais marcas do seu mandato.

A deslocação a Kiev ocorre poucos dias depois de Starmer ter participado, em Paris, numa última reunião da chamada Coligação dos Voluntários, grupo criado com o presidente francês, Emmanuel Macron, para reforçar o apoio militar e político à Ucrânia.

O Ministério da Defesa russo confirmou, entretanto, a ofensiva e afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações envolvidas no fabrico e armazenamento de drones ucranianos de médio e longo alcance.

Entre os locais atingidos estaria a empresa Rapid Logistics, onde, segundo Moscovo, são produzidos, montados e armazenados drones e componentes estrangeiros.

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As forças russas terão ainda atacado um depósito da empresa de radioeletrónica Kiev-1, onde seriam montados os drones Liuti e Leleka-100. Pelo terceiro dia consecutivo, foram também atingidos portos estratégicos da região de Odessa, junto ao Mar Negro.

De acordo com o ’20 Minutos’, Moscovo tem concentrado parte da ofensiva recente na destruição da capacidade ucraniana de produzir drones de longo alcance, usados para atingir regiões russas, territórios ocupados, a Crimeia anexada e refinarias de petróleo.

A Ucrânia lançou, por sua vez, um ataque de grande dimensão com drones contra território russo durante a madrugada. Moscovo afirmou ter abatido 375 aparelhos em 18 regiões da zona europeia da Rússia.

Os ataques ucranianos terão provocado pelo menos três mortos. Na região fronteiriça de Bryansk morreram um jovem de 15 anos e a avó, enquanto uma terceira vítima foi registada em Yaroslavl, onde quatro pessoas ficaram feridas.

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