Trump confundiu Irão com Japão e chamou Putin a Zelensky durante encontro na NATO: veja as imagens

Donald Trump protagonizou dois lapsos durante um encontro com Volodymyr Zelensky à margem da cimeira da NATO, em Ancara, ao confundir o Irão com o Japão e ao referir-se ao presidente ucraniano como “Putin”

Francisco Laranjeira

Donald Trump protagonizou dois lapsos durante um encontro com Volodymyr Zelensky à margem da cimeira da NATO, em Ancara, ao confundir o Irão com o Japão e ao referir-se ao presidente ucraniano como “Putin”. O episódio ocorreu esta quarta-feira, numa conferência de imprensa improvisada ao lado do líder ucraniano.

O presidente dos Estados Unidos falava sobre armamento defensivo americano e sobre um alegado ataque a um porta-aviões dos EUA quando disse que tinham sido disparados 111 mísseis pela “República Islâmica do Japão”. Trump parecia referir-se ao Irão, que tem estado no centro de uma nova escalada militar com Washington, mas acabou por mencionar o Japão, aliado próximo dos Estados Unidos desde o fim da II Guerra Mundial.

“Dispararam 111 mísseis contra o porta-aviões ao longo de cerca de uma hora”, afirmou Trump, segundo o ‘The Independent’. O presidente acrescentou que os mísseis tinham sido abatidos, em grande parte, por sistemas Patriot e por outros meios defensivos.

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Pouco depois, Trump voltou a baralhar nomes. Sentado ao lado de Zelensky, perguntou aos jornalistas se tinham “uma pergunta para o presidente Putin”. A sala reagiu com riso, e o presidente tentou corrigir o momento, dizendo que levaria essa pergunta ao líder russo.

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A troca de nomes ganhou particular atenção por recordar um episódio semelhante protagonizado por Joe Biden em julho de 2024, quando o então presidente dos EUA apresentou Zelensky como “presidente Putin” durante uma cimeira da NATO em Washington. Biden corrigiu-se na altura, mas o lapso tornou-se um dos momentos mais comentados do final do seu mandato.

A Casa Branca desvalorizou o episódio. Questionada pela ‘Newsweek’, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Trump teve uma participação “maratonista” e “de alta energia” na cimeira, com várias conferências de imprensa e respostas a perguntas não preparadas sobre uma ampla variedade de temas. Defendeu ainda que o presidente “comandou todas as salas” e saiu de Ancara com uma NATO mais forte e um mundo livre mais unido.

Os lapsos ocorreram num momento especialmente sensível da política externa americana. Horas antes, Trump tinha declarado terminado o cessar-fogo negociado com o Irão, depois de novos ataques contra navios no estreito de Ormuz. Em Ancara, o presidente chamou “escumalha” aos dirigentes iranianos e admitiu que os Estados Unidos poderiam voltar a atacar alvos iranianos.

De acordo com a ‘Associated Press’, a cimeira da NATO ficou marcada por vários temas de tensão, incluindo o papel da Aliança no Médio Oriente, o apoio militar à Ucrânia e a pressão de Trump para que os aliados europeus assumam uma fatia maior da despesa com defesa. Ainda assim, o encontro terminou com Trump a declarar apoio à NATO e os aliados a reafirmarem o compromisso com o artigo 5.º, a cláusula de defesa coletiva.

As declarações de Trump também reacenderam o debate sobre idade, resistência física e capacidade de resposta dos presidentes americanos em contextos internacionais exigentes. A ‘Newsweek’ lembra que apoiantes de Trump e de Biden têm, em momentos diferentes, classificado estes episódios como lapsos normais de discurso, enquanto críticos os apresentam como sinais de preocupação mais ampla.

Tom Nichols, antigo professor do U.S. Naval War College e ex-republicano, foi mais duro. Em declarações citadas pela ‘Newsweek’, afirmou que, se outro presidente tivesse cometido os mesmos lapsos, o episódio seria tratado como uma crise nacional, sobretudo por ocorrer no contexto de uma guerra em curso e de decisões sensíveis de política externa.

Os aliados da administração, por outro lado, insistem que Trump continua apto para o cargo e apontam para exames físicos e testes cognitivos recentes. O próprio presidente disse em maio que os resultados apontavam para a sua “inteligência extrema”, segundo a ‘Newsweek’.

A cimeira de Ancara já tinha sido marcada por outros momentos de tensão, incluindo comentários de Trump sobre a Gronelândia e críticas a Espanha. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, procurou enquadrar as divergências como parte do funcionamento democrático da Aliança, defendendo que os países aliados continuam unidos apesar das discussões públicas.

No fim, os lapsos roubaram parte da atenção a uma cimeira dominada por temas estratégicos: Ucrânia, Irão, gastos militares e coesão transatlântica. Ao lado de Zelensky, Trump queria sublinhar a força do armamento americano e pressionar aliados e adversários. Acabou, porém, por deixar a imagem de um presidente a trocar o Irão pelo Japão e Zelensky por Putin num dos palcos diplomáticos mais observados do mundo.

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