A complexidade das infraestruturas digitais está a custar às grandes empresas quase um milhão de euros por ano em crescimento e inovação, segundo um novo estudo da Colt Technology Services.
A análise conclui que a gestão de redes complexas continua a ser um dos principais entraves à transformação digital, atrasando projetos estratégicos, dificultando a adoção da inteligência artificial (IA) e comprometendo novas oportunidades de negócio.
O estudo The Cost of Complexity: Why Simplifying Digital Infrastructure Accelerates Enterprise Growth reuniu as respostas de 600 gestores de topo de grandes organizações no Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos e Japão.
De acordo com a investigação, cerca de 401 mil euros anuais ficam em risco devido a atrasos, tempo perdido e repetição de tarefas provocados pela complexidade das infraestruturas digitais. A este valor juntam-se mais de 508 mil euros em iniciativas de inovação que acabam por não avançar, elevando para quase um milhão de euros o potencial anual de crescimento comprometido.
Entre os principais fatores que alimentam esta complexidade destacam-se a gestão de múltiplos fornecedores (57%), a utilização de sistemas legados (48%) e os requisitos de segurança e conformidade (36%). Segundo a Colt, estas dificuldades traduzem-se em custos internos mais elevados, atrasos na execução de projetos, aumento dos encargos com fornecedores, adiamento de receitas e maior exposição a riscos de segurança.
O estudo revela ainda que a complexidade das infraestruturas está também a condicionar a adoção da inteligência artificial. Seis em cada dez inquiridos consideram que a infraestrutura digital das suas organizações impede a obtenção de todos os benefícios da IA em larga escala, enquanto 66% admitem que já perderam oportunidades relacionadas com esta tecnologia.
No plano financeiro, mais de metade das empresas (57%) afirma estar a perder receitas porque a infraestrutura digital não acompanha as suas ambições de crescimento. Nos últimos 12 meses, as organizações participantes indicaram ainda que deixaram de concretizar, em média, 14 iniciativas de inovação devido, pelo menos em parte, à complexidade tecnológica, estimando o valor dessas oportunidades perdidas em cerca de 508 mil euros por ano.
Além do impacto financeiro, a investigação aponta consequências operacionais significativas. Em média, as empresas registaram atrasos equivalentes a sete semanas em projetos críticos ao longo do último ano. Cerca de 91% dos inquiridos afirmam que a complexidade das infraestruturas atrasou a adoção de tecnologias emergentes, como a Agentic AI.
O impacto estende-se também a outras áreas estratégicas: 93% dos participantes referem atrasos na integração de processos de fusões e aquisições, 84% na expansão para novos mercados e 83% no lançamento de novos produtos. Além disso, 56% consideram que esta realidade está a travar a inovação, 44% apontam um aumento dos custos operacionais e 39% dizem que está a limitar o crescimento das receitas.













