As autoridades apelam à responsabilidade dos cidadãos nos próximos dias, perante um período considerado especialmente difícil, que junta temperaturas extremas, risco elevado de incêndio rural, noites muito quentes, vento forte e maior pressão sobre os meios de socorro.
A mensagem foi deixada por várias entidades, depois de o Governo ter declarado situação de alerta em todo o território continental entre as 00h00 desta sexta-feira e as 23h59 de segunda-feira. O objetivo é reduzir comportamentos de risco num período em que qualquer ignição pode ganhar rapidamente grandes proporções.
Jorge Verde, da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, sublinhou que este é um momento que exige responsabilidade individual e coletiva. “Este é um momento sério, não um momento para medo, mas para responsabilidade. É um momento para foco, responsabilidade nos comportamentos, respeito pelo fogo, pelas pessoas, pelos bombeiros”, afirmou.
O responsável da AGIF deixou um apelo direto aos cidadãos: “Peço que não façam uso do fogo, sob qualquer circunstância, nem usem maquinaria que possa dar origem a ignições.”
Jorge Verde insistiu que a situação exige cautela e cooperação de todos. “A meteorologia não atua sozinha, está nas mãos de todos nós. Apelamos à cautela e ao respeito muito grande pela situação que hoje vivemos”, afirmou.
Também a Liga dos Bombeiros Portugueses alertou para a complexidade dos próximos dias. O presidente da Liga, António Nunes, lembrou que os bombeiros terão de dividir recursos entre duas frentes: a resposta na área da saúde, por causa da onda de calor, e o combate a eventuais incêndios rurais.
“Estamos a viver um período de alguma complexidade, porque juntamos o risco de incêndio florestal com a onda de calor. Os bombeiros têm de dedicar os seus meios a duas áreas: a área da saúde e o combate aos incêndios”, afirmou António Nunes.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses sublinhou que as corporações estão habituadas a missões difíceis, mas admitiu que o cenário que se aproxima poderá envolver ocorrências exigentes. “Todos nós gostaríamos que daqui a oito dias não tivéssemos vítimas, não tivesse havido incêndios de elevada dimensão. Não vai ser assim, vamos ter teatros complexos, em que a entreajuda de várias entidades vai ser um desafio”, afirmou.
António Nunes deixou, ainda assim, “uma palavra de esperança”, apelando à cooperação entre entidades e cidadãos. “Que sejamos todos capazes de cooperar em cada um dos setores, elevando a capacidade de resposta. Em primeiro lugar estão os cidadãos”, declarou.
A GNR anunciou igualmente o reforço do dispositivo de vigilância e fiscalização, tendo em conta a fase considerada “muito complicada”. O objetivo é detetar precocemente ignições, prevenir comportamentos de risco e apoiar as operações de proteção e socorro.
Segundo a Guarda, foram mobilizados meios em todo o território, incluindo os 230 postos de vigia disponíveis, 147 torres de videovigilância e patrulhamento móvel. A operação será também apoiada por drones, que permitirão uma maior capacidade de observação e intervenção perante comportamentos de risco.
“Atendendo a esta fase muito complicada, a GNR reforçou o seu dispositivo. Mobilizámos um conjunto de meios de forma a identificar precocemente todas as ocorrências de incêndio”, indicou Ricardo Vaz Alves, coronel da GNR, salientando já terem sido realizadas “131 detenções pelo crime de incêndio florestal, ao qual associámos cerca de 800 cidadãos já identificados pelo crime de incêndio florestal. Manteremos este nível de atenção para evitar alguns comportamentos associados. Todos os olhares para a nossa floresta são poucos e por isso apelava a todos os populares que sempre que presenciem uma coluna de fumo – ou comportamentos suspeitos – possam alertar”.
A GNR apelou ainda a que todos os cidadãos adotem comportamentos de “máxima responsabilidade”, evitando qualquer ação que possa provocar ignições ou dificultar a resposta operacional.
O alerta das autoridades surge num contexto de agravamento meteorológico. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera confirmou que Portugal continental vai enfrentar dias de temperaturas muito elevadas, com valores na ordem dos 40 graus Celsius ou mesmo superiores em algumas regiões.
As noites também deverão ser muito quentes, com temperaturas mínimas superiores a 20 graus em vários locais e, em algumas zonas, acima dos 25 graus. O episódio deverá ser prolongado, sobretudo no interior, enquanto no litoral o alívio poderá chegar mais cedo.
Além do calor, o IPMA prevê humidade relativa muito baixa, mesmo durante a noite, e vento forte, sobretudo nas terras altas do Norte e Centro e nas serras algarvias. Esta combinação cria condições particularmente desfavoráveis ao combate a incêndios rurais.
Durante a situação de alerta, ficam proibidos o acesso, circulação e permanência em espaços florestais previamente definidos, as queimadas e queimas de sobrantes, o uso de fogo-de-artifício, o lançamento de balões com mecha acesa e vários trabalhos com maquinaria em espaços florestais e rurais.
As autoridades insistem que os próximos dias exigem mais do que meios no terreno. A prevenção dependerá sobretudo dos comportamentos individuais: não usar fogo, não utilizar maquinaria que possa provocar faíscas, respeitar as proibições em vigor e comunicar rapidamente qualquer sinal de incêndio.
Situação de alerta até segunda-feira
A situação de alerta aplica-se a todo o território continental e vai vigorar entre as 00h00 desta sexta-feira e as 23h59 de segunda-feira, devido ao “significativo agravamento do risco de incêndios rurais”, segundo o Ministério da Administração Interna. A decisão decorre da elevação do estado de alerta especial do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro e da necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação ao risco de incêndio previsto pelo IPMA em grande parte do continente.
A declaração implica o reforço da prontidão operacional da GNR, da PSP, das equipas de emergência médica, saúde pública e apoio social, bem como das entidades das áreas das comunicações e energia. Ficam também mobilizados sapadores florestais, agentes florestais e vigilantes da natureza, estando previstas ações de patrulhamento e fiscalização aérea da GNR com meios das Forças Armadas.
Durante este período, ficam proibidos o acesso e permanência em determinados espaços florestais, queimadas e queimas, trabalhos com maquinaria em espaços florestais e rurais de risco, fogo-de-artifício e balões com mecha acesa, embora estejam previstas exceções para atividades essenciais e inadiáveis, desde que cumpridas regras de mitigação do risco.



















