Quando tudo sobe, comparar deixa de ser hábito e passa a defesa do orçamento

A subida de juros do Banco Central Europeu e uma inflação que não cede colocam o orçamento das famílias sob pressão. A boa notícia é que parte da resposta está ao alcance de qualquer consumidor

Executive Digest com ComparaJá.pt

Junho trouxe uma viragem que muita gente já não esperava. O Banco Central Europeu subiu as taxas diretoras em 25 pontos base, para 2,25%, a primeira subida desde 2023. Não é um regresso aos picos desse ano, mas encerra a ideia confortável de que os juros só podiam descer. Para quem tem crédito indexado à EURIBOR, a mudança de tendência sente-se nas próximas revisões da prestação.

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Ao mesmo tempo, a inflação não dá tréguas. Em maio manteve-se em 3,3%, o valor mais alto desde setembro de 2023, pressionada sobretudo pela energia, que subiu mais de 13% num contexto de tensão geopolítica. Quando os juros e os preços sobem em simultâneo, a margem das famílias estreita-se por dois lados ao mesmo tempo, e é aí que pequenas decisões ganham um peso desproporcionado.

É também aí que comparar muda de estatuto. Durante anos foi um hábito recomendável, qualquer coisa que se faria “quando houvesse tempo”. Hoje é diferente: é uma defesa ativa do orçamento. Cada despesa recorrente, a prestação da casa, a fatura da energia, o pacote de telecomunicações ou os seguros, é um contrato que pode estar desatualizado e a custar mais do que devia.

Convém, ainda assim, resistir a dois extremos. O primeiro é o pânico, tomar decisões irreversíveis com base num único mês. A própria presidente do Banco Central Europeu sinalizou, no fórum de Sintra, que os próximos ajustes serão “medidos” e sem subidas bruscas. O segundo extremo é a indiferença, deixar as faturas subirem sem sequer abrir o contrato. Nenhum dos dois serve a quem quer proteger o rendimento disponível.

O caminho do meio é menos dramático e mais eficaz. Passa por olhar primeiro para as despesas que mais pesam: rever o spread e a taxa de esforço do crédito à habitação, confirmar se a fatura da energia está numa tarifa competitiva e verificar se o pacote de telecomunicações continua a fazer sentido. São revisões aborrecidas, mas que se pagam a si próprias.

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A inflação corrói sobretudo o que não se vigia. Num ano em que tudo parece subir, o consumidor não controla as taxas do Banco Central nem o preço da energia nos mercados, mas controla uma coisa: a decisão de comparar antes de continuar a pagar. É, provavelmente, a forma mais barata de defender o que sobra ao fim do mês.

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