A Polónia, durante décadas vista como uma das economias mais frágeis da Europa, está hoje a crescer várias vezes mais depressa do que a Alemanha e a atrair investimento industrial que antes poderia ter seguido para a antiga Alemanha Oriental, analisa o ‘El Economista’.
O contraste está a redesenhar o mapa económico do centro da Europa. De um lado, uma Polónia em expansão, com desemprego próximo de 3%, forte captação de investimento e ambições crescentes em setores como energia, automóvel, baterias, logística e tecnologia. Do outro, uma Alemanha Oriental que, apesar dos avanços desde a reunificação, volta a mostrar sinais de fragilidade.
Um relatório da associação patronal Saarower Kreis e da filial de Dresden do Instituto Ifo alerta que a convergência da antiga Alemanha Oriental com o oeste do país está em risco. A produtividade por trabalhador nos estados federais do leste passou de 78% da média ocidental há dez anos para 85% em 2025, mas os especialistas temem que este progresso possa estagnar.
A principal fragilidade está no investimento. Entre 2019 e 2023, o investimento produtivo per capita no leste da Alemanha atingiu apenas três quartos do nível observado na Alemanha Ocidental. Excluindo infraestruturas e habitação, o valor cai para dois terços, sinal de que as empresas da região estão a investir demasiado pouco.
Do outro lado da fronteira, a Polónia tem beneficiado de maior flexibilidade regulatória, zonas económicas especiais, salários mais baixos e incentivos ao investimento. O economista Joachim Ragnitz resume a diferença: a Polónia tem mais facilidade em adaptar o seu sistema económico, enquanto a Alemanha Oriental está integrada nas regras laborais, jurídicas e salariais alemãs, o que limita a sua capacidade de competir.
A demografia e a inovação agravam o problema. A população em idade ativa no leste alemão deverá cair cerca de 7% até 2035, com quebras superiores a 12% em regiões como Saxónia-Anhalt e Turíngia. Ao mesmo tempo, os gastos empresariais em investigação e desenvolvimento representam apenas 0,72% do PIB no leste, contra quase 2,5% na Alemanha Ocidental.
A Polónia, pelo contrário, procura subir na cadeia de valor. O país planeia investir cerca de um bilião de zlotys, cerca de 234 mil milhões de euros, no setor energético durante a próxima década, incluindo rede elétrica, novas centrais e o primeiro reator nuclear do país.
A mudança também se vê nas empresas. Companhias polacas anunciaram 22 aquisições na Europa Ocidental no ano passado, incluindo negócios na Alemanha em setores como automóvel, tecnologia e produção alimentar. Uma das operações mais simbólicas foi a compra do grupo alemão Invia pela Wirtualna Polska Holding, avaliada em 240 milhões de euros.
Apesar de a Alemanha continuar a ser a maior economia europeia e a antiga Alemanha Oriental manter polos industriais relevantes, como Leipzig, Dresden e o triângulo químico da Saxónia-Anhalt, os sinais de desgaste são cada vez mais visíveis. Concorrência chinesa, custos elevados, choques energéticos, estagnação económica e perda de competitividade pressionam o modelo alemão.
A pergunta torna-se cada vez mais incómoda para Berlim: a Polónia está apenas a aproximar-se da velha potência industrial europeia ou já começou a ultrapassar parte dela?













