A guerra no Médio Oriente poderá atrasar em cerca de um ano o regresso da inflação na Europa a níveis considerados normais, alerta Martin Wolburg, economista sénior da Generali Investments. O especialista avisa que o conflito está já a penalizar a confiança dos consumidores e empresas, ao mesmo tempo que impulsiona os preços da energia e agrava as perspetivas económicas da Zona Euro.
Segundo a análise da gestora de ativos, a inflação acelerou de 1,9% em fevereiro para 3% em abril, refletindo sobretudo o impacto da subida dos preços energéticos. Em paralelo, os indicadores de confiança deterioraram-se de forma acentuada: o PMI composto caiu para 48,6 pontos, abaixo da linha que separa expansão de contração económica, enquanto a confiança dos consumidores atingiu o nível mais baixo desde a pandemia.
A instituição prevê agora uma estagnação da atividade económica no segundo trimestre deste ano e reviu em baixa as projeções de crescimento para 2026, antecipando uma expansão de apenas 0,8% da economia da Zona Euro. Para 2027, a previsão aponta para um crescimento de 1,1%.
O cenário-base da Generali AM assume, contudo, uma reabertura atempada do Estreito de Ormuz, considerado crucial para estabilizar os mercados energéticos globais. Caso o bloqueio se prolongue, a gestora alerta para um agravamento das pressões inflacionistas e um impacto mais profundo na atividade económica.
“A inflação deverá atingir o pico no segundo trimestre e regressar gradualmente a níveis mais normais ao longo de aproximadamente um ano”, refere Martin Wolburg.
O conflito no Médio Oriente também está a influenciar a política monetária do Banco Central Europeu. De acordo com a análise, a escalada das tensões levou o BCE a adotar um discurso mais cauteloso e “hawkish”, ainda que a instituição continue a considerar temporário o atual aumento da inflação.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, já tinha sinalizado que mesmo uma subida temporária dos preços poderia justificar prudência nas taxas de juro para evitar efeitos persistentes nas expectativas de inflação.
Ainda assim, a Generali AM considera que existe “necessidade limitada” para um novo ciclo de subida das taxas de juro, antecipando apenas um aumento preventivo de 25 pontos base por parte do BCE.




