Crise no Estreito de Ormuz deixa 20 mil tripulantes retidos no mar

Há semanas presos no mar, sem saber quando poderão regressar a terra, cerca de 20 mil tripulantes vivem uma situação de incerteza no Estreito de Ormuz.

Patrícia Moura Pinto

A escalada do conflito que envolve o Irão está a provocar uma grave perturbação no transporte marítimo internacional. Cerca de 20 mil tripulantes encontram-se retidos a bordo de centenas de navios no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.

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De acordo com a Euronews, a circulação de navios naquela zona caiu drasticamente desde o início do conflito. Entre 13 e 19 de abril, apenas cerca de 80 embarcações atravessaram o estreito, quando antes da guerra esse número ultrapassava frequentemente as 130 por dia.

Esta quebra está a afetar diretamente o comércio global, uma vez que aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial passa por esta via marítima estratégica.

Navios sob ameaça e tripulações em risco

Dezenas de embarcações já foram alvo de ataques desde o início das hostilidades. A Organização das Nações Unidas confirmou que pelo menos 10 marinheiros perderam a vida, aumentando a preocupação com a segurança das tripulações.

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A situação no terreno continua altamente volátil. Apesar de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prolongado o cessar-fogo por tempo indeterminado, o bloqueio aos portos iranianos mantém-se. Em resposta, o Irão abriu fogo sobre navios na região e apreendeu pelo menos duas embarcações.

Sem condições de segurança para navegar

As autoridades internacionais alertam que não existem condições seguras para a navegação no Estreito de Ormuz. Há suspeitas de que o Irão tenha colocado minas marítimas na zona, enquanto os Estados Unidos afirmam estar a realizar operações para as remover.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional afirmou que, face aos riscos atuais, não há qualquer rota segura disponível para os navios comerciais.

Apelos urgentes por um corredor seguro

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Face à gravidade da situação, várias entidades internacionais, incluindo a agência da ONU para o transporte marítimo, apelam à criação urgente de um corredor seguro que permita a passagem de navios comerciais e a proteção das tripulações.

A crise no Estreito de Ormuz junta-se a outros episódios recentes que deixaram milhares de marítimos presos no mar, como a pandemia de COVID-19, a guerra na Ucrânia e os ataques a navios no Mar Vermelho.

O impacto desta nova crise poderá prolongar-se e afetar ainda mais os mercados energéticos e as cadeias de abastecimento globais.

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