Ucrânia. AIEA media cessar-fogo em Zaporizhia para evitar risco nuclear

Trégua temporária visa restabelecer o fornecimento de energia de reserva de 330 quilovolts à maior central nuclear da Europa

Francisco Laranjeira

Um novo “cessar-fogo local” está em vigor na central nuclear de Zaporizhia para permitir trabalhos urgentes de reparação numa das linhas de abastecimento elétrico. A informação foi avançada pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que mediou o entendimento entre as partes no terreno.

De acordo com a ‘Europa Press’, a trégua temporária visa restabelecer o fornecimento de energia de reserva de 330 quilovolts à maior central nuclear da Europa, situada no sul da Ucrânia e sob controlo das forças russas desde as primeiras fases da invasão iniciada em fevereiro de 2022.

Desminagem para garantir acesso seguro

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, destacou que estão a ser realizadas operações de desminagem para assegurar o acesso seguro das equipas técnicas responsáveis pelos trabalhos. A prioridade é permitir que as equipas de reparação cheguem à infraestrutura sem risco adicional num contexto de forte militarização da área.

A operadora da central confirmou que os trabalhos de reparação e restauro já começaram, com o objetivo de garantir a operacionalidade da linha de abastecimento Ferrosplavnaya-1. Segundo a mesma fonte, os acordos que tornaram possível o cessar-fogo foram alcançados com a participação direta de Rafael Grossi.

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Energia assegurada por linha alternativa

Enquanto decorrem as intervenções, a central continua a receber energia através da linha de reserva Dneprovskaya. A operadora sublinhou ainda que a situação radiológica na central e nas zonas circundantes é considerada normal.

A infraestrutura de apoio à central tem sido repetidamente alvo de bombardeamentos desde o início do conflito. Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre a responsabilidade pelos ataques, que já provocaram vários cortes de energia e alimentaram receios internacionais sobre o risco de um acidente nuclear.

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Zaporizhia tornou-se um dos pontos mais sensíveis da guerra, não apenas pelo seu valor estratégico, mas também pelo potencial impacto de qualquer incidente nuclear numa zona densamente povoada e com efeitos transfronteiriços.

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