Milhares de militares da NATO treinam no Báltico para reforçar dissuasão face à Rússia

Manobras decorreram no campo de treino de Putlos, perto da cidade portuária de Kiel, e integraram o exercício multinacional Steadfast Dart 2026

Francisco Laranjeira

Milhares de soldados da NATO participaram esta quarta-feira num exercício militar na costa do Mar Báltico, na Alemanha, numa demonstração de prontidão destinada a dissuadir a Rússia. A informação é avançada pelo ‘Kyiv Post’, que destaca a dimensão e o simbolismo da operação.

As manobras decorreram no campo de treino de Putlos, perto da cidade portuária de Kiel, e integraram o exercício multinacional Steadfast Dart 2026. O objetivo é testar a capacidade da Aliança Atlântica de deslocar rapidamente tropas dentro do território da NATO em caso de crise.

Sob comando do general alemão Ingo Gerhartz, cerca de 3.000 militares participaram no exercício em Putlos, que incluiu caças Eurofighter alemães, 15 navios de guerra, mergulhadores de combate espanhóis e unidades turcas equipadas com veículos anfíbios de assalto Zaha.

Segundo o ‘Kyiv Post’, o exercício faz parte de uma operação mais ampla que decorre entre janeiro e março e envolve cerca de 10.000 soldados de 11 Estados-membros europeus da NATO, dos quais aproximadamente 7.300 estão destacados na Alemanha. Nenhum militar americano participou nesta fase das manobras.

O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou que o treino demonstra que a NATO está “unida e pronta para agir”. Referindo-se ao contexto regional, sublinhou que “a situação de segurança no Mar Báltico piorou drasticamente” e que os exercícios comprovam que a Aliança leva “a sério a dissuasão”.

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A invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, iniciada há quase quatro anos, intensificou receios de que Moscovo possa vir a exercer pressão militar sobre membros europeus da NATO. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas alemãs, general Carsten Breuer, alertou para uma “ameaça real”, afirmando que a Rússia continua a orientar as suas forças armadas para oeste.

De acordo com o ‘Kyiv Post’, as autoridades europeias têm também denunciado o aumento de atividades hostis atribuídas à Rússia, incluindo sabotagens ferroviárias na Polónia, incêndios criminosos e ataques cibernéticos.

A operação Steadfast Dart é descrita como a maior manobra já realizada pela Força de Reação Aliada (ARF), criada em 2024. Em caso de crise, esta força poderá mobilizar até 40.000 militares em dez dias, mediante aprovação do Conselho do Atlântico Norte.

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Pistorius rejeitou interpretações de que a ausência de tropas americanas refletiria tensões nas relações transatlânticas, classificando a situação como “completamente normal” e resultante de um sistema rotativo de participação.

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