2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, marcado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.
Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Vitor Ribeirinho, CEO/Senior Partner da KPMG Portugal, antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.
- Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
- Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
- Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
- Uma palavra que possa definir 2026.
1. Quando falamos em desafios no nosso setor, abordamos muitas vezes a questão tecnológica, nomeadamente da Inteligência Artificial, no entanto, e apesar de esta ser um elemento transformador das organizações, da forma como trabalhamos e como construímos os nossos serviços, considero que o maior desafio não será tecnológico, mas sim continuará a ser humano.
Vivemos tempos em que a inovação é um pilar do desenvolvimento das organizações, mas é fundamental que a sua adoção e implementação seja feita de uma forma responsável, inclusiva e ética, acompanhada de um trabalho contínuo de capacitação e formação das equipas, mantendo a consciência firme que é uma transformação que terá avanços e recuos, que devem ser sobretudo resultantes da avaliação feita pelas pessoas. Esse é um processo que está no centro da nossa linha de atuação na KPMG e do trabalho que desenvolvemos internamente com as nossas equipas e externamente com os nossos clientes, porque acreditamos que, sem esse passo, a transformação digital das organizações fica incompleta, não gera valor sustentável a médio e longo prazo e corre o risco de se limitar a uma adoção tecnológica sem impacto real na forma como as organizações criam confiança, tomam decisões e evoluem e obviamente no valor acrescentado para os seus stakeholders.
Também nesse âmbito, destaco outro dos desafios, que diz respeito às expetativas que existem da parte dos clientes, com uma procura cada vez maior de soluções integradas, end to end, e de estratégias multidisciplinares, o que abre portas à criação de novas áreas e de novos serviços no nosso setor.
2. A questão geopolítica é um tema que tem vindo a estar, consistentemente, presente nas várias perspetivas anuais do setor, há largos anos, o que, por si só, é já um indicador interessante sobre a importância e o impacto que a mesma tem na nossa área. A história de mais de 150 anos da KPMG a nível global é também, no fundo, uma evidência da capacidade que temos tido ao longo de diferentes momentos da história de transformar os desafios da geopolítica em oportunidades e consequentemente em benefício das nossas pessoas e dos nossos clientes.
Sem prejuízo do legado que muito nos orgulha, temos que reconhecer que, face aos acontecimentos do início do ano, a instabilidade geopolítica internacional é neste momento um fator de elevada incerteza no setor, que pode ter impacto, por exemplo, nos respetivos processos de internacionalização, o que é particularmente relevante dadas as limitações de escala que existem no nosso país. Na KPMG Portugal, as receitas internacionais têm um peso relevante e, apesar do atual contexto global, acreditamos que poderão continuar a aumentar ao longo de 2026, ao mesmo tempo que consolidamos e reforçamos a nossa presença nacional, no entanto sabemos da importância e da necessidade de podermos ter uma cada vez maior capacidade de antecipação dos vários cenários mundiais e de trabalharmos com os nossos clientes numa ótica de apoio estratégico e de gestão de risco.
3. Sou, por natureza, uma pessoa otimista e acredito que 2026 será um ano com várias oportunidades de crescimento e desenvolvimento para a KPMG e também para o setor. Em primeiro lugar, destaco a maior maturidade do tecido empresarial português e a sua crescente predisposição para poder avançar com processos de transformação digital. Há uma mudança de paradigma na cultura organizacional em Portugal com a tecnologia a ser vista como um eixo central dos planos estratégicos da maioria das empresas. Este contexto cria condições para que possamos, cada vez mais, trabalhar junto dos nossos clientes e ajudá-los a transformar a tecnologia em valor real e sustentável, assegurando que a inovação está efetivamente integrada e alinhada com os modelos de negócio.
A outra oportunidade que gostaria de sublinhar diz respeito ao papel das organizações na sociedade. É tempo de as empresas terem um papel mais ativo, uma maior abertura à sociedade e um contributo ainda mais direto para o progresso do país. Refiro-me não só ao trabalho que já é feito junto de diversas organizações, que contribui para o aumento da competitividade, da produtividade, da qualidade da gestão e da confiança dos mercados, mas também ao reforço da relação com a Academia, permitindo uma maior integração entre os dois lados, e à promoção de discussões e criação de insights que possam contribuir para termos um país mais ambicioso e desenvolvido. Este é um trabalho que a KPMG veio a fazer ao longo do último ano, com o projeto “Ambição para Portugal”, e que pretendemos dar continuidade ao longo de 2026, enquanto impulsionadores de uma nova mentalidade, mais ambiciosa e orientada para o crescimento.
4. AMBIÇÃO COLETIVA.














