Os líderes das maiores empresas do mundo continuam divididos quanto ao impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho. Enquanto alguns antecipam o desaparecimento do trabalho manual e repetitivo, outros acreditam que esta tecnologia poderá inaugurar uma verdadeira “era de ouro” laboral. Ainda assim, há um ponto de consenso: a IA vai transformar profundamente a forma como as pessoas trabalham, segundo o ‘El Economista’.
A lógica económica parece simples. Se uma máquina consegue executar as mesmas tarefas que um trabalhador humano, torna-se mais vantajoso para as empresas substituí-lo, uma vez que a tecnologia não exige salários, pausas, férias ou direitos laborais. Embora a inteligência artificial ainda não esteja preparada para substituir os humanos em todas as profissões, já apresenta avanços significativos em várias áreas, abrindo caminho a cenários até há pouco tempo considerados distantes.
Entre os defensores dessa visão está Elon Musk, um dos empresários mais ricos do mundo e líder de empresas como a Tesla, a SpaceX, a X e a Neuralink. Durante um discurso no Fórum de Investimentos EUA–Arábia Saudita, realizado em Washington, Musk afirmou que, graças à inteligência artificial e à robótica, o trabalho poderá tornar-se opcional no futuro.
Segundo o empresário, trabalhar será uma escolha pessoal, comparável a cultivar alimentos em casa por gosto, e não uma necessidade para sobreviver. “Se quiser trabalhar, será como ir ao mercado comprar legumes ou cultivá-los no quintal”, afirmou, numa analogia citada pelo ‘El Economista’. Para Musk, essa transformação tornará irrelevante a preocupação com poupanças ou com a idade da reforma.
Na sua visão, o dinheiro deixará de ser um problema central, uma vez que a IA será capaz de produzir tudo aquilo de que as pessoas necessitam para viver, eliminando progressivamente a própria necessidade de dinheiro como meio de subsistência.
Apesar do tom otimista, esta perspetiva levanta várias interrogações. Uma das principais prende-se com o facto de as empresas que investem milhares de milhões no desenvolvimento de inteligência artificial dificilmente disponibilizarem essas tecnologias de forma gratuita quando estiverem plenamente desenvolvidas. A possibilidade de os benefícios serem distribuídos de forma equitativa contrasta com a realidade atual, em que os serviços tecnológicos continuam a ser altamente rentabilizados.
Perante esse cenário, especialistas defendem que seria indispensável a intervenção dos Governos, através de regulamentação que garantisse condições mínimas de vida e acesso aos benefícios gerados pela IA. No entanto, a concretização desse modelo levanta dúvidas, sobretudo quando os principais impulsionadores desta revolução tecnológica defendem uma visão fortemente orientada pelo mercado.




