Adeus à reforma: IA vai tornar o trabalho desnecessário e o dinheiro irrelevante, diz Elon Musk

Os líderes das maiores empresas do mundo continuam divididos quanto ao impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho

Francisco Laranjeira

Os líderes das maiores empresas do mundo continuam divididos quanto ao impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho. Enquanto alguns antecipam o desaparecimento do trabalho manual e repetitivo, outros acreditam que esta tecnologia poderá inaugurar uma verdadeira “era de ouro” laboral. Ainda assim, há um ponto de consenso: a IA vai transformar profundamente a forma como as pessoas trabalham, segundo o ‘El Economista’.

A lógica económica parece simples. Se uma máquina consegue executar as mesmas tarefas que um trabalhador humano, torna-se mais vantajoso para as empresas substituí-lo, uma vez que a tecnologia não exige salários, pausas, férias ou direitos laborais. Embora a inteligência artificial ainda não esteja preparada para substituir os humanos em todas as profissões, já apresenta avanços significativos em várias áreas, abrindo caminho a cenários até há pouco tempo considerados distantes.

Entre os defensores dessa visão está Elon Musk, um dos empresários mais ricos do mundo e líder de empresas como a Tesla, a SpaceX, a X e a Neuralink. Durante um discurso no Fórum de Investimentos EUA–Arábia Saudita, realizado em Washington, Musk afirmou que, graças à inteligência artificial e à robótica, o trabalho poderá tornar-se opcional no futuro.

Segundo o empresário, trabalhar será uma escolha pessoal, comparável a cultivar alimentos em casa por gosto, e não uma necessidade para sobreviver. “Se quiser trabalhar, será como ir ao mercado comprar legumes ou cultivá-los no quintal”, afirmou, numa analogia citada pelo ‘El Economista’. Para Musk, essa transformação tornará irrelevante a preocupação com poupanças ou com a idade da reforma.

Na sua visão, o dinheiro deixará de ser um problema central, uma vez que a IA será capaz de produzir tudo aquilo de que as pessoas necessitam para viver, eliminando progressivamente a própria necessidade de dinheiro como meio de subsistência.

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Apesar do tom otimista, esta perspetiva levanta várias interrogações. Uma das principais prende-se com o facto de as empresas que investem milhares de milhões no desenvolvimento de inteligência artificial dificilmente disponibilizarem essas tecnologias de forma gratuita quando estiverem plenamente desenvolvidas. A possibilidade de os benefícios serem distribuídos de forma equitativa contrasta com a realidade atual, em que os serviços tecnológicos continuam a ser altamente rentabilizados.

Perante esse cenário, especialistas defendem que seria indispensável a intervenção dos Governos, através de regulamentação que garantisse condições mínimas de vida e acesso aos benefícios gerados pela IA. No entanto, a concretização desse modelo levanta dúvidas, sobretudo quando os principais impulsionadores desta revolução tecnológica defendem uma visão fortemente orientada pelo mercado.

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