Europa “não está a ir na direção correta”: discurso de Trump visa líderes “amigos e inimigos” em Davos

Dirigindo-se ao público como “amigos e alguns inimigos”, expressão usada pelo próprio, Trump aproveitou ainda a intervenção para reivindicar um bom momento da economia americana

Francisco Laranjeira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou esta quarta-feira a Europa durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos, afirmando que o continente “não está a ir na direção correta” e que “muitos lugares na Europa estão irreconhecíveis”, numa referência direta à chegada de imigrantes. “Eu amo a Europa, quero vê-la prosperar, mas ela não está a ir na direção certa”, criticou.

“Não quero ofender ninguém”, indicou Trump, acrescentando que amigos voltam de lugares na Europa e lhe dizem que não reconhecem o local – mencionou também a “migração em massa descontrolada” e déficits orçamentários e comerciais recordes. “Partes do nosso mundo estão a serem destruídas diante dos nossos olhos e os líderes não estão a fazer nada a respeito”, diz Trump.

O presidente americano não esqueceu a Gronelândia em Davos. “Ia deixar isso de fora do discurso, mas acho que teria recebido críticas muito negativas”, começou Trump, salientando que tem “enorme respeito” pelos povos da Gronelândia e Dinamarca. A Gronelândia, garantiu, é “um vasto território quase desabitado e subdesenvolvido, indefeso”. “Não existem materiais de terras raras na Gronelândia. O que importa é a sua segurança estratégica nacional e internacional”, assegurou. “Estou à procura de negociações imediatas para adquirir a Gronelândia”, frisou.

“Só os Estados Unidos podem defender este pedaço gigante de gelo”, acrescentou, considerando-o de “um interesse fundamental de segurança nacional” e dizendo que os EUA tentam adquirir a Gronelândia há “dois séculos”. Trump avançou também que os EUA anexariam a Gronelândia porque ela está “desprotegida, numa localização estratégica chave entre os Estados Unidos, a Rússia e a China”.

Donald Trump afirma que não fará o que muitos líderes mundiais temem: usar a força para obter a Gronelândia. “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, algo que nos tornaria, francamente, imparáveis”, disse. “Mas eu não farei isso. Essa é provavelmente a declaração mais importante, porque as pessoas pensavam que usaria a força. Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão a pedir é um lugar chamado Gronelândia.”

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Dirigindo-se ao público como “amigos e alguns inimigos”, expressão usada pelo próprio, Trump aproveitou ainda a intervenção para reivindicar um bom momento da economia americana. “As pessoas estão felizes comigo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, sem adiantar dados adicionais.

Trump afirmou também que num ano reduziu o déficit comercial mensal dos EUA em 77% sem inflação – algo que, segundo o próprio, todos diziam ser impossível, lembrando que os EUA têm centrais siderúrgicas a serem construídas em todo o país e que firmaram acordos comerciais históricos com parceiros, que representam 40% de todo o comércio americano: isso inclui acordos comerciais com países da Europa, Japão e Coreia do Sul, especialmente nas áreas de petróleo e gás.

Trump sustentou que esses acordos aumentaram a riqueza e impulsionaram os mercados de ações, não apenas nos EUA, mas também em outros países que participaram desses acordos. “Quando os EUA sobem, você acompanha”, acrescentou.

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As declarações surgem num contexto de crescente tensão entre Washington e várias capitais europeias, motivada pela intenção manifestada por Trump de anexar a Gronelândia, território autónomo sob soberania da Dinamarca. A posição do presidente americano tem provocado reações críticas por parte de líderes europeus, que prometem uma “resposta firme” às investidas sobre território europeu.

O discurso em Davos decorreu depois de um atraso na deslocação presidencial, causado por um problema elétrico no ‘Air Force One’ durante a madrugada. Trump chegou à estância suíça na manhã desta quarta-feira para uma intervenção que já era antecipada como politicamente sensível, num momento de relações transatlânticas particularmente tensas.

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