É seguro encomendar comida para casa? Estes são os cuidados a ter

Existem algumas questões a ter em conta ao comprar refeições em regime de ‘take-away’: podemos ficar em casa e comer produtos «de fora» sem problema? Como devemos agir ao pedir que nos entreguem comida? Conheça as respostas.

Simone Silva

O regime de ‘take-away’ e as entregas ao domicilio são actualmente as únicas formas possíveis de funcionamento dos restaurantes, devido ao estado de emergência, motivado pela pandemia da Covid-19. As dúvidas relativas a este regime são algumas, uma vez que os portugueses estão confinados em casa, sem saber se a comida «de fora» pode ou não ser segura para consumo.

Teresa Leão, médica de saúde pública e investigadora no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), garante que podemos comprar comida em ‘take-away’ ou com entrega ao domicílio «mas devemos ter várias cautelas», refere citada pela ‘Renascença’.

«No levantamento da comida ou na entrega devemos guardar distância física de, pelo menos, um metro da pessoa», sublinha. Relativamente ao pagamento a especialista refere à ‘Renascença’ que «podemos preferir o uso de cartão de débito contactless ou outras tecnologias que reduzam a manipulação de dinheiro físico».

Devem ter-se cuidados especiais com o manuseamento dos sacos que contém a comida, sendo de «evitar pousar os sacos no balcão onde preparamos as refeições ou sobre a mesa», explica Teresa Leão, que recomenda que os clientes comida passem «os alimentos das caixas de transporte para pratos» para diminuir o risco de contacto com alguma superfície infectada.

Assim que a comida é retirada das embalagens, deve colocar as mesmas imediatamente no lixo e posteriormente «desinfectar o local onde pousou o saco/embalagem com lixívia diluída em água ou outro produto que contenha lixívia».

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A especialista destaca que o procedimento mais importante, nesta e em qualquer situação, é «a lavagem das mãos após mexermos nos sacos e embalagens, seja após os pousarmos, antes de transferirmos os alimentos para os pratos, e antes de iniciar a refeição», explica.

Para uma maior segurança, Teresa Leão sugere ainda que se aqueçam «os alimentos a mais de 70 graus», medida recomendada para «prevenir a transmissão de outros microorganismos», uma vez que para além deste, existem outros tipos de vírus.

É importante recordar que segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar e a Organização Mundial da Saúde (OMS) «não existe, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus», informação que consta no manual de orientações na área da alimentação publicado pela Direção Geral da Saúde (DGS).

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O maior perigo do regime ‘take-away’ não está nos alimentos, mas no manuseamento das embalagens em que os mesmos são colocados para transporte e entrega, explica a especialista.

«O risco de termos vírus vivos nas superfícies dos sacos é relativamente baixo» mas que, mesmo assim, é preciso continuarmos a ter os procedimentos correctos na higiene dos mesmos e das nossas mãos. «Temos de manter o mesmo tipo de cuidados que temos tido com os alimentos. Devemos lavar muito bem a fruta e legumes e cozinhar muito bem o resto dos alimentos que vão ser ingeridos», termina Teresa Leão.

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