Compra da Gronelândia poderá custar até 600 mil milhões de euros aos EUA

A eventual compra da Gronelândia pelos Estados Unidos poderá representar um encargo financeiro de cerca de 700 mil milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 600 mil milhões de euros, segundo uma estimativa avançada pela NBC News.

Pedro Gonçalves
Janeiro 14, 2026
14:04

A eventual compra da Gronelândia pelos Estados Unidos poderá representar um encargo financeiro de cerca de 700 mil milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 600 mil milhões de euros, segundo uma estimativa avançada pela NBC News. O valor surge numa altura em que Washington intensifica contactos diplomáticos com a Dinamarca e com as autoridades da região autónoma, numa tentativa de clarificar as intenções norte-americanas em relação ao território ártico.

De acordo com a emissora norte-americana, a estimativa resulta de cálculos realizados por académicos e antigos responsáveis governamentais dos Estados Unidos contactados pela NBC. O montante apontado corresponde a mais de metade do orçamento anual do Departamento de Defesa norte-americano, sublinhando a dimensão financeira do plano defendido pelo presidente Donald Trump.

Com uma área de cerca de 2.072.000 quilómetros quadrados, a Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca e tem estado no centro do debate geopolítico internacional devido ao interesse manifestado por Washington em assumir o controlo da ilha. O presidente dos Estados Unidos tem reiterado publicamente a importância estratégica da Gronelândia para a segurança nacional do país.

“Precisamos dela para proteção nacional. Precisamos da Gronelândia para proteção nacional”, afirmou Donald Trump, insistindo na relevância do território no contexto da defesa norte-americana e da presença militar no Ártico.

Trump admite acordo, mas mantém tom assertivo
No passado domingo, o presidente norte-americano voltou a abordar o tema, admitindo a possibilidade de um entendimento com as autoridades envolvidas. “Eu adoraria fazer um acordo com eles”, afirmou Trump, quando questionado sobre a viabilidade de uma negociação. Ainda assim, deixou claro que considera inevitável o controlo norte-americano da ilha. “É mais fácil. Mas, de uma forma ou de outra, vamos ficar com a Gronelândia”, acrescentou.

Estas declarações surgem numa fase sensível das relações diplomáticas entre Washington, Copenhaga e Nuuk, alimentando preocupações sobre a estabilidade política na região e o respeito pela autonomia do território.

Esta quarta-feira está agendada uma reunião em Washington entre representantes dos dois países e da Gronelândia. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o vice-presidente JD Vance irão encontrar-se com autoridades dinamarquesas e groenlandesas que se deslocaram à capital dos Estados Unidos para discutir as reais intenções de Washington relativamente à ilha.

O encontro ocorre num contexto de crescente tensão diplomática, com a Dinamarca e o governo autónomo da Gronelândia a manifestarem reservas claras quanto às pretensões norte-americanas.

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, já deixou clara a posição do governo regional face ao cenário de uma eventual escolha entre aliados. “Estamos perante uma crise geopolítica e, se tivermos de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca neste preciso momento, escolhemos a Dinamarca”, afirmou, rejeitando implicitamente as intenções de controlo expressas pelo presidente dos Estados Unidos.

As declarações reforçam a resistência política local à ideia de uma anexação ou compra do território, num dossiê que promete continuar a marcar a agenda internacional nas próximas semanas.

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