A empresa italiana Leonardo anunciou que pretende realizar ainda este ano os primeiros ensaios do seu novo sistema de defesa antiaérea, a Cúpula de Miguel Ângelo (Michelangelo), em território ucraniano. Batizado em homenagem ao artista renascentista, o sistema é um dos projetos mais estratégicos da maior empresa militar de Itália.
O CEO da Leonardo, Roberto Cingolani, explicou durante a apresentação da atualização do plano industrial que “o primeiro componente da cúpula Michelangelo encontra-se atualmente em construção para os nossos amigos da Ucrânia. A primeira prova será realizada lá [na Ucrânia] num ambiente real”. A entrega do equipamento está prevista ainda para 2026.
Leonardo estima que a Cúpula de Miguel Ângelo poderá gerar 21 mil milhões de euros em receitas até 2035, refletindo a importância estratégica e comercial do projeto. Até ao momento, cerca de 20 países já demonstraram interesse em integrar o sistema nos seus programas de defesa. A empresa prevê que, em 2027, Michelangelo demonstre a sua capacidade operacional junto da OTAN, numa fase crucial de testes internacionais.
O sistema destina-se a oferecer “uma capacidade total para intercetar, rastrear e neutralizar ameaças emergentes em todo o espectro operacional: desde ameaças balísticas e hipersónicas até ataques de saturação, passando por ameaças de baixa altitude e difíceis de detetar, como grandes enxames de drones”, explicou Cingolani.
No centro do sistema está o MC5, um módulo plugável que permite conectividade multidomínio, garantindo que Michelangelo funcione de forma integrada com outros sistemas de defesa aérea.
Ensaios e integração futura com a NATO
Os testes com a NATO em 2027 incluirão confrontos simulados com mísseis balísticos e uma prova integrada de defesa aérea e antimíssil de comando e controlo. Cingolani acrescentou que as capacidades espaciais do sistema evoluirão com o a perspetiva de duas janelas de lançamento da constelação Guardian, previstas para 2028 e 2029. A integração total com os sistemas da NATO e da União Europeia deverá estar completa até 2030, consolidando Michelangelo como um elemento central da defesa europeia e transatlântica.
O CEO italiano garantiu ainda que a cúpula poderá funcionar em conjunto com outros sistemas antiaéreos existentes, aumentando a interoperabilidade e a eficácia da defesa. Paralelamente, a empresa Thales apresentou o SkyDefender, um sistema concorrente destinado a rivalizar com a eficácia das defesas integradas da Cúpula de Ferro israelita.
Os conflitos recentes, caracterizados por lançamentos simultâneos de mísseis, drones e bombardeamentos de artilharia, aceleraram o desenvolvimento de sistemas antiaéreos mais sofisticados do que os existentes.
No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o desenvolvimento da Cúpula Dourada, destinada a proteger o país de ataques nucleares, incluindo ameaças provenientes do espaço.
As contínuas incursões russas em Europa Oriental levaram países como Polónia e Noruega a investir em sistemas de defesa contra drones, com metas de operacionalidade em menos de dois anos. A Comissão Europeia declarou ainda a intenção de financiar uma linha defensiva reforçada no flanco oriental, visando dissuadir potenciais agressões.
Recentemente, França anunciou planos para expandir o seu arsenal nuclear e criar um sistema de dissuasão nuclear conjunto com países europeus, incluindo Reino Unido, Alemanha e Suécia, reforçando a capacidade de defesa coletiva do continente.
A Cúpula de Miguel Ângelo representa um avanço tecnológico significativo, combinando inovação militar, cooperação internacional e potencial económico considerável. Leonardo posiciona-se assim como líder na corrida por sistemas de defesa antiaérea capazes de responder a ameaças modernas, desde drones até ataques hipersónicos, num contexto de segurança europeia cada vez mais complexo.




