O ano de 2026 será marcado por um intenso calendário eleitoral à escala global, com mais de 40 países chamados às urnas e várias democracias sob forte pressão política. De acordo com a revista ‘Sábado’, algumas das votações mais relevantes terão lugar na Europa, onde se antecipam mudanças de ciclo, possíveis viragens à direita e testes decisivos à popularidade de líderes em funções.
Em Portugal, o ciclo eleitoral arranca logo a 18 de janeiro com as eleições presidenciais. Apesar de as sondagens mais recentes indicarem um crescimento de António José Seguro, apoiado pelo PS, são os candidatos associados à direita que têm liderado a corrida nos últimos meses, nomeadamente Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD, o independente Henrique Gouveia e Melo e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega.
Viragens políticas no Norte da Europa
Nos países nórdicos, o cenário político poderá sofrer alterações significativas. Na Suécia, onde Ulf Kristersson lidera desde outubro de 2022 uma coligação governamental, o aumento da criminalidade tem contribuído para o reforço da retórica de direita. As eleições legislativas estão marcadas para 13 de setembro e poderão redefinir o equilíbrio político no país.
Na Dinamarca, as eleições previstas para outubro são apontadas como das mais imprevisíveis das últimas décadas. Mette Frederiksen, primeira-ministra desde 2019, enfrenta um contexto desfavorável, com os partidos de centro-direita e direita a recuperarem terreno nas sondagens.
Também a Eslovénia vai a votos em março, num teste ao Governo liberal liderado por Robert Golob. As sondagens indicam uma ligeira vantagem do Partido Democrático Esloveno, de direita, face ao Movimento da Liberdade, atualmente no poder.
Europa Central e de Leste sob pressão
Na Letónia, as eleições de outubro determinarão o futuro da atual coligação de centro-direita liderada por Evika Silina. O partido da primeira-ministra surge em segundo lugar nas sondagens, atrás da conservadora Aliança Nacional.
Na Hungria, as eleições marcadas para 12 de abril poderão pôr fim a 16 anos de liderança de Viktor Orbán. O primeiro-ministro enfrenta um desafio sério de Péter Magyar, do partido Respeito e Liberdade, uma força de centro-direita pró-europeia que aparece à frente nas sondagens, segundo a ‘Sábado’.
Eleições regionais como termómetro político
Em Itália, as eleições municipais, ainda sem data definida, servirão de teste à popularidade da coligação liderada por Giorgia Meloni, num contexto em que o país se prepara para as legislativas de 2027. As votações terão lugar em cidades como Veneza, Reggio Calabria, Arezzo, Andria e Pistoia.
Na Alemanha, várias eleições regionais ao longo do ano, a começar em março e prolongando-se até setembro, funcionarão como barómetro político para o chanceler Friedrich Merz, em funções desde maio, e para a evolução da extrema-direita no país.
Também em França, as eleições autárquicas marcadas para 15 e 22 de março serão acompanhadas de perto. A crescente influência do Rassemblement National transforma estas votações num indicador relevante para as presidenciais de 2027.
Calendário eleitoral global alargado
Além da Europa, 2026 será um ano eleitoral em países como Brasil, EUA, Rússia, Israel, Cabo Verde, Marrocos, Colômbia e Nova Zelândia, entre muitos outros. Segundo a revista semanal, este ciclo eleitoral alargado reforça a importância de 2026 como um ano-chave para o futuro político global, num contexto marcado por polarização, instabilidade e redefinição de equilíbrios democráticos.









