Operação Marquês: julgamento regressa hoje… sem o advogado de Sócrates. Saiba o que está em causa

José Preto, advogado de José Sócrates, recebeu alta hospitalar na semana passada, depois de ter estado internado durante 12 dias no Hospital de Santa Maria

Executive Digest
Janeiro 13, 2026
7:30

O julgamento da Operação Marquês regressa esta terça-feira ao Tribunal Central Criminal de Lisboa, após quase dois meses de suspensão, mas mantém-se a incerteza quanto às condições em que será retomado, devido à situação clínica do advogado de José Sócrates e às questões em torno da defesa do antigo primeiro-ministro.

José Preto, advogado de José Sócrates, recebeu alta hospitalar na semana passada, depois de ter estado internado durante 12 dias no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, devido a uma pneumonia. Apesar da alta, o causídico não estará presente na sessão marcada para hoje: de acordo com o jornal ‘Público’, José Preto contraiu uma virose no seu internamento, pelo que a defesa do antigo primeiro-ministro será assegurada por um advogado oficioso.

Perante a ausência prolongada do advogado, o tribunal nomeou Ana Velho como defensora oficiosa de José Sócrates. A advogada teve cinco dias para consultar o processo, depois de inicialmente ter manifestado não ter condições para assumir a defesa num processo com milhares de páginas e vários anos de tramitação. Ainda assim, a juíza Susana Seca recusou o pedido de escusa, permitindo o adiamento da sessão anterior precisamente para assegurar o direito de defesa.

O julgamento esteve suspenso desde a renúncia de Pedro Delille, advogado que acompanhou José Sócrates durante mais de uma década, situação que obrigou à interrupção dos trabalhos judiciais enquanto não fosse assegurada uma nova representação legal do arguido.

Processos seguem caminhos separados

O regresso do julgamento ocorre também numa semana marcada por uma decisão relevante da Relação de Lisboa. O tribunal decidiu que o processo separado da Operação Marquês, que envolve igualmente José Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva, não deve ser apensado ao processo principal atualmente em julgamento, devendo seguir tramitação autónoma.

A decisão resolve um conflito de competências entre magistrados, depois de ter sido defendida a junção dos dois processos. A Relação entendeu, no entanto, que os autos se encontram em fases processuais distintas, uma vez que o processo separado ainda se encontra na fase de instrução, ao contrário do processo principal, já em julgamento.

Nesse processo autónomo, José Sócrates e Carlos Santos Silva foram pronunciados para julgamento, em junho de 2025, pela prática, em coautoria, de três crimes de branqueamento de capitais, relacionados com os factos que estão a ser apreciados no julgamento principal.

No processo principal da Operação Marquês, José Sócrates está pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, relacionados com alegados benefícios concedidos a vários grupos económicos enquanto exerceu funções governativas. Carlos Santos Silva responde por 23 crimes e é apontado pelo Ministério Público como um dos intermediários utilizados para a alegada receção de vantagens indevidas.

No total, os 21 arguidos do processo negam a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhes são imputados.

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