O Kremlin afastou esta terça-feira as declarações de responsáveis europeus que sugerem que o Presidente russo, Vladimir Putin, pretende reconstruir a antiga União Soviética ou preparar uma ofensiva contra membros da NATO. A reação surgiu após novas afirmações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que acusou o líder russo de ambicionar o regresso da “velha União Soviética” e de representar uma ameaça direta ao espaço euro-atlântico.
Na resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou categoricamente essas leituras. “Isto não é verdade. Vladimir Putin não quer restaurar a U.S.S.R., porque isso é impossível, e ele próprio o disse repetidamente”, afirmou o responsável, considerando que insistir nessa narrativa “não é respeitoso para com os nossos parceiros”. Acrescentou ainda que Merz “aparentemente não sabe isto”.
O debate reacendeu-se depois de Merz ter defendido que a Europa deveria preparar-se para contrariar “intenções claras” da Rússia, que, segundo o líder alemão, estariam expressas em doutrinas oficiais e apontariam para um futuro ataque a um país da NATO caso Moscovo alcance uma vitória no conflito na Ucrânia.
Putin, que nasceu na União Soviética e que em 2005 descreveu o colapso do bloco como “a maior catástrofe geopolítica do século XX”, sempre recusou ter ambições militares contra a Aliança Atlântica. O chefe de Estado russo tem reiterado que uma ofensiva contra a NATO seria um ato irracional para Moscovo, dadas as vantagens militares convencionais da organização ocidental.
Ainda assim, opositores internos afirmam que a Rússia contemporânea vive num ambiente de repressão e absurdo reminiscentes do período de Leonid Brezhnev, enquanto vários líderes ocidentais insistem que uma vitória russa na Ucrânia abriria caminho a novos avanços militares de Moscovo.
Confrontado diretamente com a acusação de que Putin estaria a preparar um ataque ao bloco ocidental, Peskov foi perentório: “Quanto a preparar um ataque à NATO, isso é estupidez completa.”













