Morte de GNR no Guadiana expõe escalada de violência nas novas rotas da droga

Um dos suspeitos de envolvimento no abalroamento da lancha da Guarda Nacional Republicana (GNR) no rio Guadiana, que provocou a morte do cabo Pedro Manata e Silva, foi detido com 50 mil euros em dinheiro.

Revista de Imprensa

Um dos suspeitos de envolvimento no abalroamento da lancha da Guarda Nacional Republicana (GNR) no rio Guadiana, que provocou a morte do cabo Pedro Manata e Silva, foi detido com 50 mil euros em dinheiro. O caso, que envolve dois cidadãos espanhóis referenciados por tráfico de droga, está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) e revela, segundo fontes policiais, a crescente violência das novas rotas de narcotráfico entre Portugal e Espanha.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), os dois homens foram intercetados pela GNR junto à ponte internacional do Guadiana, em Castro Marim, depois de uma intensa operação que mobilizou dezenas de agentes e meios aéreos. O primeiro suspeito foi avistado a atravessar a A22 a pé e tentou fugir ao aperceber-se da presença dos militares, desfazendo-se de um saco onde transportava mais de 50 mil euros. Pouco depois, uma outra patrulha da GNR localizou um veículo de matrícula espanhola nas imediações, onde se encontrava o segundo suspeito, também de nacionalidade espanhola.

Os dois indivíduos foram detidos e conduzidos para as instalações da GNR, sendo posteriormente entregues à PJ do Sul. Apesar das suspeitas de envolvimento no acidente, ambos foram constituídos arguidos e libertados por falta de indícios diretos que comprovem a sua ligação ao abalroamento. As autoridades investigam se a dupla estaria envolvida numa operação de narcotráfico que terminou tragicamente com a morte do militar.

O cabo Pedro Manata e Silva, de 50 anos, morreu na noite de segunda-feira quando a lancha em que seguia, da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras (UCCF), foi violentamente atingida por uma embarcação de traficantes no Guadiana, junto a Alcoutim. A colisão, ocorrida cerca das 23h20, foi de tal intensidade que o militar acabou por ser decapitado no impacto. Três colegas que seguiam na mesma embarcação ficaram feridos e estão a receber acompanhamento psicológico.

Momentos antes da tragédia, a narcolancha havia sido detetada pelas autoridades espanholas junto a Isla Cristina, entrando depois no rio que marca a fronteira entre Portugal e Andaluzia. A UCCF da GNR acionou vários meios marítimos e terrestres para intercetar os suspeitos. Durante a perseguição, a lancha dos traficantes embateu deliberadamente na embarcação da GNR e, após a colisão, acabou por arder completamente ao embater na margem portuguesa. A origem do incêndio está agora sob investigação da PJ.

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As buscas pelos suspeitos prolongaram-se durante toda a terça-feira, envolvendo helicópteros da Guardia Civil espanhola e da Proteção Civil portuguesa, drones, patrulhas a cavalo e equipas cinotécnicas. As operações continuam esta quarta-feira, centradas nas zonas fronteiriças do Algarve e da Andaluzia, numa tentativa de identificar outros possíveis cúmplices.

Pedro Manata e Silva, natural de Ermesinde e residente em Lagos, era militar da GNR desde 2000 e integrava a Unidade de Controlo Costeiro desde a sua criação. Era também dirigente da Associação de Profissionais da Guarda (APG). Casado e pai de dois filhos, era descrito por colegas e amigos como um profissional exemplar. “Honramos a tua coragem, o teu sacrifício e a dedicação inabalável ao dever. A forma como serviste é e será sempre um exemplo para todos aqueles que se dedicam ao trabalho”, recordou um amigo em mensagem de homenagem.

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