Mercados em queda devido a tarifas de Trump reacendem debate sobre ‘disjuntores’ nas bolsas. O que são e para que servem?

Com nova vaga de tarifas impostas por Donald Trump, os mercados globais entram em forte turbulência. Medidas automáticas de travagem das negociações, conhecidas como “circuit breakers” ou disjuntores, voltam a ser ativadas para conter vendas em pânico.

Pedro Gonçalves

Perante uma nova tempestade nos mercados financeiros, provocada por um conjunto de tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, regressa ao centro do debate um mecanismo de emergência criado para travar colapsos bolsistas: os disjuntores, também conhecidos pela designação anglo-saxónica circuit breakers.

Estes disjuntores são interrupções automáticas e temporárias das negociações nas bolsas, acionadas quando um índice regista quedas abruptas num curto espaço de tempo. O objetivo é conter o pânico e evitar que uma espiral de vendas em cadeia cause danos ainda maiores, ao permitir um momento de pausa para que os investidores assimilem a situação.

A discussão sobre estes mecanismos reacendeu-se após Trump ter revelado, no passado dia 2 de abril, uma nova política de tarifas alargadas, com impacto imediato nos mercados. O índice norte-americano S&P 500 afundou mais de 10% em apenas duas sessões, anulando mais de 6 biliões de dólares em capitalização bolsista. A instabilidade manteve-se esta segunda-feira, com oscilações violentas provocadas por notícias relacionadas com a política comercial dos EUA.

Um mecanismo criado após o ‘crash’ de 1987
Os disjuntores foram implementados pelas autoridades reguladoras norte-americanas após o colapso bolsista de 1987, conhecido como a “Segunda-feira Negra”. Pretendem ser uma válvula de segurança, limitando a propagação do pânico entre investidores.

No caso do S&P 500, o mecanismo segue uma escala de três níveis:

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Nível 1: ativa-se quando o índice cai 7% face ao fecho do dia anterior, suspendendo as negociações por 15 minutos, exceto se ocorrer depois das 15h25 (hora de Nova Iorque), altura em que o mercado já não é interrompido.

Nível 2: entra em ação com uma queda de 13%, também com uma paragem de 15 minutos, seguindo as mesmas regras.

Nível 3: aciona-se com uma descida de 20%, interrompendo todas as negociações até ao final da sessão.

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Durante a crise pandémica de 2020, os disjuntores foram acionados quatro vezes ao atingir o limiar dos 7%, à medida que os mercados reagiam às incertezas económicas provocadas pela Covid-19.

“Crise autoinfligida”
A mais recente vaga de quedas nos mercados fez ressurgir os receios de uma nova crise comercial e desencadeou alertas sobre a possível ativação dos disjuntores.

Para Jay Woods, estratega-chefe global da Freedom Capital Markets, esta é uma crise evitável. “Quando olhamos para a história dos mercados e outras crises, nenhuma foi tão evitável e autoinfligida como esta”, escreveu numa nota publicada esta segunda-feira. E recordou que, desde a pandemia, não se registavam quedas suficientemente acentuadas para ativar o disjuntor dos 7%.

O impacto das novas tarifas fez-se sentir também nas bolsas asiáticas. Esta segunda-feira, o índice Nikkei 225, do Japão, registou uma queda superior a 8%, ativando um disjuntor local. Também na Coreia do Sul, o Kospi 200, e ações individuais cotadas em Taiwan viram as suas negociações suspensas por mecanismos semelhantes.

Estes sistemas existem em diversas praças financeiras do mundo, ajustando-se às realidades locais, mas com um princípio comum: interromper temporariamente o mercado em situações de stress extremo, dando tempo aos investidores para reagirem de forma racional e informada.

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Os investidores estão agora particularmente atentos à evolução da política económica e comercial norte-americana, receando que uma nova guerra comercial possa prejudicar o crescimento económico global.

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