Donald Trump declarou “guerra” ao petróleo russo com uma das suas novas armas comerciais, apelidada de “tarifa secundária”.
Irritado com a falta de progresso em direção à paz na Ucrânia, o presidente americano decidiu dar mais um passo para tentar minar o principal músculo económico de Moscovo: esta nova fase envolve a imposição de tarifas aos países que compram petróleo bruto russo, num esforço para isolar o Kremlin o máximo possível. No entanto, neste movimento tarifário, há países que se tornarão os principais derrotados, colocando-se no centro das atenções – alguns já estão acostumados, mas outros enfrentam um ponto de viragem que pode marcar a evolução económica dessas nações e comércio quase global.
“Se a Rússia e eu não conseguirmos chegar a um acordo para impedir o derramamento de sangue na Ucrânia, e se eu acreditar que foi culpa da Rússia… imporei tarifas secundárias sobre o petróleo, sobre todo o petróleo que sai da Rússia”, disse Trump. Se essa ameaça se materializar, o impacto no comércio global poderá ser significativo, dada a importância dos fluxos de mercadorias chinesas para os EUA, por exemplo. Desta vez, o presidente dos EUA declarou que imporá tarifas sobre todo o petróleo que sai da Rússia. Muitos se perguntarão como Donald Trump pode fazer algo assim. Aqui entram as “tarifas secundárias”, uma nova arma comercial inovadora e potencialmente disruptiva.
As “tarifas secundárias” propostas por Trump funcionam como uma ferramenta de pressão económica indireta: não são aplicadas diretamente ao país sancionado (como Venezuela ou Rússia), mas sim a países terceiros que negociam com ele. Tecnicamente, isso significa que se um país — como China, Índia ou Portugal — continuar a comprar petróleo bruto da Venezuela ou da Rússia, os Estados Unidos forçarão o pagamento de entre 25% e 50% do valor dessas compras de petróleo bruto russo em tarifas sobre outros produtos que comercializa com os EUA.
Essa medida busca desencorajar os parceiros comerciais do país sancionado, penalizando a sua economia por continuar essas relações. É um mecanismo coercitivo mais agressivo do que as sanções tradicionais porque internacionaliza a punição, forçando aliados e parceiros globais a escolher entre manter os seus laços com Washington ou com o país sancionado.
Economicamente, essas tarifas tornam as exportações para os EUA (a maior economia do mundo) mais caras, reduzindo a competitividade de empresas de terceiros países e criando um efeito dominó nas cadeias de abastecimento globais. Embora o termo “tarifa secundária” não seja oficial e não apareça em tratados, Trump usa-o como uma arma comercial e política com uma lógica clara: isolar o seu adversário e, ao mesmo tempo, punir aqueles que compram dele.
Embora muitos países comprem petróleo russo, na verdade há três países que estão a comprar em grande quantidade e que são os principais apoiantes da indústria russa. São eles: China, Índia e Turquia. Esses três países sozinhos são responsáveis por quase 74% de todas as receitas de ‘ouro negro’ que fluem para Moscovo. Enquanto Pequim é o maior comprador, com 78 mil milhões de euros, Nova Dehli chega aos 49 mil milhões, ao passo que Istambul atingiu 34 mil milhões de euros.









