A partir da próxima terça-feira, os médicos em Portugal poderão prescrever um novo medicamento para o tratamento da obesidade. Chama-se Wegovy e estará disponível nas farmácias portuguesas a partir de 7 de abril. No entanto, este fármaco injetável não terá comparticipação do Estado, o que significa que os pacientes terão de desembolsar cerca de 245 euros por mês para o tratamento.
O Wegovy já está disponível em 11 países europeus, incluindo Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, e também pode ser encontrado nos Estados Unidos, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos. Em Portugal, a sua chegada gera expetativa entre especialistas e doentes, especialmente devido à sua eficácia comprovada em ensaios clínicos.
Segundo José Silva Nunes, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), o Wegovy representa um avanço significativo no combate ao excesso de peso. “Este é o segundo fármaco com um grau de potência superior aos que até agora estavam disponíveis no mercado para o tratamento da obesidade”, afirmou em declarações ao Público.
Os ensaios clínicos indicam que este medicamento permite uma perda de peso média de 17% e contribui para a redução de eventos cardiovasculares em 20%, tornando-se uma alternativa relevante para doentes com obesidade ou excesso de peso com comorbilidades associadas. No entanto, a sua utilização deve ser combinada com uma alimentação equilibrada e um aumento da atividade física para um melhor controlo do peso corporal.
Além dos adultos, o fármaco também pode ser utilizado em adolescentes com 12 ou mais anos que sofrem de obesidade. A sua formulação baseia-se na semaglutida, uma substância já utilizada em tratamentos para a diabetes tipo 2, que atua no centro do apetite do cérebro, promovendo a saciedade e reduzindo o consumo alimentar.
Apesar dos benefícios demonstrados, o custo elevado sem apoio estatal poderá limitar o acesso ao medicamento para uma parte significativa da população portuguesa. Com a obesidade a ser considerada um problema de saúde pública crescente no país, o impacto da chegada do Wegovy será acompanhado de perto por especialistas e entidades do setor.
Com a introdução deste novo fármaco, os doentes ganham mais uma opção terapêutica, mas o debate sobre a comparticipação estatal de medicamentos para a obesidade continua em aberto, numa altura em que as taxas de excesso de peso e obesidade em Portugal continuam a aumentar.














