Israel e Hamas chegam a novo acordo para troca de reféns e prisioneiros palestinianos

Israel e o Hamas alcançaram um novo acordo para a troca de prisioneiros e reféns, permitindo a continuidade da trégua na Faixa de Gaza, que se aproxima do seu prazo limite.

Pedro Zagacho Gonçalves

Israel e o Hamas alcançaram um novo acordo para a troca de prisioneiros e reféns, permitindo a continuidade da trégua na Faixa de Gaza, que se aproxima do seu prazo limite. A informação foi confirmada por uma fonte israelita à CNN, reforçando que o cessar-fogo permanece válido enquanto os termos do entendimento forem cumpridos.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Com a primeira fase da trégua prevista para terminar no sábado, 1 de março, os esforços diplomáticos intensificaram-se. O enviado do Presidente dos Estados Unidos para o Médio Oriente, Steve Witkoff, anunciou na terça-feira que Israel enviou uma delegação para as negociações sobre a segunda fase do cessar-fogo. “Estamos a fazer muitos progressos. Israel está a enviar uma equipa enquanto falamos”, afirmou Witkoff num evento em Washington, organizado pelo Comité Judaico Norte-americano.

O responsável norte-americano indicou ainda que as negociações deverão decorrer no Cairo ou em Doha, sob mediação dos Estados Unidos, Egito e Catar. Segundo Witkoff, o objetivo é “avançar a segunda fase e obter mais libertações de reféns”, admitindo que acredita ser uma “possibilidade real”. Caso os progressos se concretizem, o enviado norte-americano planeia juntar-se às negociações no domingo, 2 de março.

Hamas confirma acordo para libertação simultânea de reféns e prisioneiros
Horas antes do anúncio de Witkoff, o Hamas divulgou um comunicado a informar que foi alcançado um acordo com Israel para a libertação de centenas de prisioneiros palestinianos, em simultâneo com a entrega dos corpos de reféns israelitas. A declaração foi emitida após uma reunião entre uma delegação do movimento, liderada por Khalil al-Hayya, e responsáveis egípcios no Cairo, onde foram discutidos a implementação do cessar-fogo, a troca de prisioneiros e o futuro das negociações com Israel.

De acordo com o Hamas, o acordo alcançado resolve a questão do “adiamento da libertação de prisioneiros palestinianos que deveriam ter sido libertados na última etapa”. No entanto, até ao momento, Israel não confirmou oficialmente as declarações do grupo palestiniano.

Continue a ler após a publicidade

O atraso na libertação de prisioneiros palestinianos tem sido um dos principais pontos de tensão. No sábado passado, 24 de fevereiro, o Hamas entregou seis reféns israelitas vivos e os corpos de mais quatro, mas Israel suspendeu a libertação dos 620 prisioneiros e detidos palestinianos previstos. Segundo o governo israelita, essa decisão foi tomada em protesto contra o “tratamento cruel” dos reféns durante a sua libertação e para exigir garantias de que futuras trocas ocorreriam sem “cerimónias humilhantes”.

O Hamas acusou Israel de violar os termos da trégua ao adiar a libertação dos prisioneiros, afirmando que não daria continuidade às negociações sobre uma segunda fase do cessar-fogo enquanto a situação não fosse resolvida.

Troca iminente: corpos de reféns por prisioneiros palestinianos
Nesta quarta-feira, uma fonte israelita revelou à CNN que um novo entendimento foi alcançado para a entrega dos restos mortais de quatro reféns israelitas, em troca da libertação dos 620 prisioneiros e detidos palestinianos cuja libertação tinha sido adiada. Segundo a mesma fonte, esta troca poderá ocorrer ainda na noite desta quarta-feira, hora local.

O Hamas não especificou quantos reféns israelitas e quantos prisioneiros palestinianos seriam incluídos no acordo, mas confirmou que o entendimento foi alcançado através da mediação egípcia.

Atualmente, o Hamas e os seus aliados mantêm 63 reféns israelitas na Faixa de Gaza. De acordo com o governo israelita, pelo menos 32 desses reféns já terão morrido, incluindo o soldado Hadar Goldin, capturado em 2014.

Continue a ler após a publicidade

A trégua entre Israel e o Hamas, em vigor há 42 dias, deverá expirar este fim de semana, a menos que as partes cheguem a um novo acordo para a sua prorrogação. Inicialmente, estava previsto que as negociações sobre o fim definitivo da guerra começassem no início de fevereiro, mas esses diálogos ainda não tiveram início.

A evolução das negociações nos próximos dias será determinante para definir o rumo da situação na Faixa de Gaza e a possibilidade de prolongar o cessar-fogo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.