Israel e o Hamas alcançaram um novo acordo para a troca de prisioneiros e reféns, permitindo a continuidade da trégua na Faixa de Gaza, que se aproxima do seu prazo limite. A informação foi confirmada por uma fonte israelita à CNN, reforçando que o cessar-fogo permanece válido enquanto os termos do entendimento forem cumpridos.
Com a primeira fase da trégua prevista para terminar no sábado, 1 de março, os esforços diplomáticos intensificaram-se. O enviado do Presidente dos Estados Unidos para o Médio Oriente, Steve Witkoff, anunciou na terça-feira que Israel enviou uma delegação para as negociações sobre a segunda fase do cessar-fogo. “Estamos a fazer muitos progressos. Israel está a enviar uma equipa enquanto falamos”, afirmou Witkoff num evento em Washington, organizado pelo Comité Judaico Norte-americano.
O responsável norte-americano indicou ainda que as negociações deverão decorrer no Cairo ou em Doha, sob mediação dos Estados Unidos, Egito e Catar. Segundo Witkoff, o objetivo é “avançar a segunda fase e obter mais libertações de reféns”, admitindo que acredita ser uma “possibilidade real”. Caso os progressos se concretizem, o enviado norte-americano planeia juntar-se às negociações no domingo, 2 de março.
Hamas confirma acordo para libertação simultânea de reféns e prisioneiros
Horas antes do anúncio de Witkoff, o Hamas divulgou um comunicado a informar que foi alcançado um acordo com Israel para a libertação de centenas de prisioneiros palestinianos, em simultâneo com a entrega dos corpos de reféns israelitas. A declaração foi emitida após uma reunião entre uma delegação do movimento, liderada por Khalil al-Hayya, e responsáveis egípcios no Cairo, onde foram discutidos a implementação do cessar-fogo, a troca de prisioneiros e o futuro das negociações com Israel.
De acordo com o Hamas, o acordo alcançado resolve a questão do “adiamento da libertação de prisioneiros palestinianos que deveriam ter sido libertados na última etapa”. No entanto, até ao momento, Israel não confirmou oficialmente as declarações do grupo palestiniano.
O atraso na libertação de prisioneiros palestinianos tem sido um dos principais pontos de tensão. No sábado passado, 24 de fevereiro, o Hamas entregou seis reféns israelitas vivos e os corpos de mais quatro, mas Israel suspendeu a libertação dos 620 prisioneiros e detidos palestinianos previstos. Segundo o governo israelita, essa decisão foi tomada em protesto contra o “tratamento cruel” dos reféns durante a sua libertação e para exigir garantias de que futuras trocas ocorreriam sem “cerimónias humilhantes”.
O Hamas acusou Israel de violar os termos da trégua ao adiar a libertação dos prisioneiros, afirmando que não daria continuidade às negociações sobre uma segunda fase do cessar-fogo enquanto a situação não fosse resolvida.
Troca iminente: corpos de reféns por prisioneiros palestinianos
Nesta quarta-feira, uma fonte israelita revelou à CNN que um novo entendimento foi alcançado para a entrega dos restos mortais de quatro reféns israelitas, em troca da libertação dos 620 prisioneiros e detidos palestinianos cuja libertação tinha sido adiada. Segundo a mesma fonte, esta troca poderá ocorrer ainda na noite desta quarta-feira, hora local.
O Hamas não especificou quantos reféns israelitas e quantos prisioneiros palestinianos seriam incluídos no acordo, mas confirmou que o entendimento foi alcançado através da mediação egípcia.
Atualmente, o Hamas e os seus aliados mantêm 63 reféns israelitas na Faixa de Gaza. De acordo com o governo israelita, pelo menos 32 desses reféns já terão morrido, incluindo o soldado Hadar Goldin, capturado em 2014.
A trégua entre Israel e o Hamas, em vigor há 42 dias, deverá expirar este fim de semana, a menos que as partes cheguem a um novo acordo para a sua prorrogação. Inicialmente, estava previsto que as negociações sobre o fim definitivo da guerra começassem no início de fevereiro, mas esses diálogos ainda não tiveram início.
A evolução das negociações nos próximos dias será determinante para definir o rumo da situação na Faixa de Gaza e a possibilidade de prolongar o cessar-fogo.














