A resiliência operacional e financeira em tempos de incerteza

Opinião de Tiago Cruz Gonçalves, Professor de Finanças do ISEG, Universidade de Lisboa

Executive Digest

Por Tiago Cruz Gonçalves, Professor de Finanças do ISEG, Universidade de Lisboa

Num mundo marcado por volatilidade económica, disrupções geopolíticas e crises climáticas, a resiliência operacional e financeira torna-se um imperativo estratégico para as empresas. Não se trata apenas de sobreviver a choques, mas de se adaptar rapidamente, garantindo continuidade e crescimento sustentável. A resiliência, definida como a capacidade de prever, responder e recuperar de disrupções, exige uma abordagem integrada que combine gestão financeira rigorosa, diversificação de riscos e investimento em tecnologia.

Dados de 2023 revelam que perto de metade das PMEs enfrentam problemas de liquidez, muitas vezes agravados por atrasos nos pagamentos de clientes e dependência excessiva de fornecedores únicos. Este cenário é particularmente crítico em setores industriais, onde as cadeias de abastecimento globais são vulneráveis a eventos como a pandemia de COVID-19 ou a crise no Canal do Suez em 2021. Empresas como a Toyota, por exemplo, aprenderam com o terramoto de 2011 no Japão a importância de diversificar fornecedores e manter stocks estratégicos.

A gestão financeira é o alicerce da resiliência. Reduzir a exposição a riscos cambiais, através de hedging, ou negociar prazos de pagamento flexíveis com os fornecedores são estratégias comprovadas. A Nestlé, por exemplo, utiliza contratos de preços fixos para insumos críticos, como o cacau, mitigando a volatilidade de custos. Adicionalmente, a criação de fundos de contingência permite às empresas responder a emergências sem comprometer as operações. Finalmente, tecnologias digitais, como as plataformas de análise preditiva, ganham também relevância, permitindo às empresas que adotam ferramentas de automação financeira melhorar as suas margens.

A resiliência operacional, por sua vez, depende de cadeias de abastecimento transparentes e diversificadas. Neste contexto, a diversificação geográfica é igualmente crucial. Durante a crise dos chips em 2022, a Samsung acelerou a construção de fábricas no Texas e no Vietname, reduzindo a dependência da Ásia. Outras multinacionais adotaram o nearshoring, relocalizando a sua produção junto aos mercados consumidores para encurtar cadeias de abastecimento.

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Os planos de continuidade de negócio são outro pilar. A Microsoft, por exemplo, realiza simulações periódicas de ciberataques para testar a robustez dos seus sistemas. Para as PMEs, medidas como a manutenção de backups em nuvem ou a formação de equipas multifuncionais podem ser elementos diferenciadores críticos.

Em conclusão, a resiliência exige uma combinação de gestão financeira prudente, inovação operacional e adaptabilidade estratégica. A investigação cientifica produzida demonstra que organizações que investem em iniciativas de resiliência têm taxas de sobrevivência superiores em crises. Num cenário de incerteza, a capacidade de antecipar, ao invés de apenas reagir, será o diferenciador entre empresas que prosperam e as que perecem.

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