6 em cada 10 edifícios de escritórios em Lisboa em risco de se tornarem obsoletos até 2030

Cerca de 64% do parque de escritórios da Grande Lisboa corre o risco de se tornar obsoleto até 2030, segundo o relatório RETHINKING European Offices 2030, da Cushman & Wakefield. O estudo analisa a idade e as condições dos edifícios de escritórios em 16 cidades europeias e destaca o impacto da legislação climática e da evolução das necessidades das empresas nos próximos anos.

André Manuel Mendes

Cerca de 64% do parque de escritórios da Grande Lisboa corre o risco de se tornar obsoleto até 2030, segundo o relatório RETHINKING European Offices 2030, da Cushman & Wakefield. O estudo analisa a idade e as condições dos edifícios de escritórios em 16 cidades europeias e destaca o impacto da legislação climática e da evolução das necessidades das empresas nos próximos anos.

Entre as cidades analisadas, Milão lidera a lista com 86% do stock em risco de obsolescência, seguida por Barcelona e Estocolmo (81%). Lisboa, com 2,86 milhões de m² em risco, posiciona-se ao lado de Dublin, com 64%, superando mercados como Munique (60%) e Varsóvia (40%).



“O afluxo de novos projetos representa um risco acrescido para os edifícios de escritórios mais antigos, que podem ter dificuldades em competir. A forte procura pelos melhores espaços e as rendas prime que estes espaços podem alcançar são fatores-chave que contribuem para esta tendência”, comenta Pedro Salema Garção, Head of Offices da Cushman & Wakefield em Portugal. “As rendas prime atingiram os níveis mais elevados dos últimos 30 anos, enquanto a taxa de desocupação tem vindo a aumentar gradualmente, situando-se atualmente em 7,2%. À medida que mais contratos de arrendamento forem sendo renovados e as empresas reavaliarem as suas necessidades, continuaremos a assistir a mudanças ao longo desta década e para além dela, muitas das quais já se fazem sentir atualmente”, acrescenta.

O estudo aponta o reposicionamento e a reconversão como soluções estratégicas para mitigar a obsolescência. Isabel Simões Correia, RETHINKING Portugal Lead, Head of Business Development, afirma “o reposicionamento é provavelmente a melhor solução para as localizações no centro da cidade. No que toca a reconversão, a hotelaria e a habitação tendem a ser os usos alternativos predominantes nestas zonas. À medida que passamos de localizações centrais para periféricas aumenta o leque de usos alternativos, incluindo em áreas como cuidados de saúde, instalações médicas, espaços para laboratórios ou centros de dados, dependendo da dinâmica local. Os valores de renda mais baixos dos escritórios face a estas opções e as taxas de desocupação mais elevadas podem fazer com que a reconversão dos ativos nestas localizações seja a estratégia vencedora.”

Para acompanhar a evolução do mercado, a Grande Lisboa terá 429.000 m² de novos escritórios até 2028, sendo 195.000 m² concluídos nos próximos quatro anos. Apesar disso, os desafios para os edifícios mais antigos são significativos, especialmente à medida que os contratos de arrendamento são renegociados e as empresas reavaliam as suas necessidades.

Mercado % do stock de escritórios em risco de obsolescência até 2030
Milão 86%
Barcelona 81%
Estocolmo 81%
Paris 80%
Madrid 77%
Amesterdão 77%
Londres 76%
Bruxelas 70%
Frankfurt 70%
Berlim 65%
Lisboa 64%
Dublin 64%
Munique 60%
Praga 47%
Budapeste 43%
Varsóvia 40%
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