“Não precisamos de vocês”: Rússia humilha Europa e fecha porta às negociações sobre a Ucrânia

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a abordagem francesa, afirmando que “os europeus não querem ajudar o processo de paz”

Francisco Laranjeira

A Rússia está a bloquear a participação mais ativa dos países europeus nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, numa altura em que Paris tenta reforçar o papel dos aliados de Kiev no processo diplomático. A informação é avançada pelo ‘Kyiv Post’, com base em dados do ‘Financial Times’, e expõe um clima de tensão crescente entre Moscovo e as capitais europeias.

Durante uma recente visita a Moscovo, conselheiros do presidente francês Emmanuel Macron defenderam a inclusão dos aliados europeus de Kiev em qualquer futuro quadro negocial, sublinhando o impacto direto da guerra na segurança regional. No entanto, a resposta do Kremlin foi negativa. “A resposta russa foi basicamente: ‘não precisamos de vocês’”, revelou um diplomata europeu citado pelo ‘Financial Times’, numa descrição que ilustra a dureza do posicionamento de Moscovo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a abordagem francesa, afirmando que “os europeus não querem ajudar o processo de paz”. Segundo o responsável, a delegação francesa “não trouxe sinais positivos”, acrescentando que “não havia nada de positivo para ouvir”.

Peskov foi mais longe e acusou os países europeus de incentivarem a continuação do conflito. “Infelizmente, os europeus estão a gastar todos os seus esforços a convencer os ucranianos a continuar a guerra”, afirmou, defendendo que essa estratégia constitui “um erro do ponto de vista do seu próprio futuro”.

Apesar de admitir abertura a uma solução diplomática, Moscovo considera que a situação no terreno lhe é favorável. “A dinâmica na frente é positiva para nós. Estamos a avançar e a aproximar-nos dos nossos objetivos”, declarou o porta-voz do Kremlin, citado pelo ‘Kyiv Post’.

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Do lado ucraniano, a leitura é oposta. Um alto responsável de Kiev afirmou ao ‘Financial Times’ que a Rússia “não está a levar a sério o fim da guerra”, insistindo em exigências que a Ucrânia não pode aceitar. Ainda assim, Kiev mantém cautela, optando por “esperar para ver” como evoluem os contactos diplomáticos, num contexto internacional marcado por outras tensões, nomeadamente o foco crescente dos Estados Unidos no Irão.

O impasse nas negociações evidencia não só a dificuldade em encontrar um caminho para a paz, mas também a divisão estratégica entre a Rússia e os países europeus, num conflito com impacto direto na segurança do continente.

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