D. Branca de Matosinhos sob investigação das autoridades: cobrava juros de 40%

De acordo com as autoridades, o esquema é simples: por cada mil euros emprestados, a agiota fica logo à partida com os primeiros 100 euros. Só entrega 900, mas exige que lhe sejam pagos 1.300. Isto são 260 euros de prestação mensal em apenas cinco meses, sendo que qualquer dia de atraso acresce mais 30 euros de juros

Revista de Imprensa

A D. Branca de Matosinhos, revela esta sexta-feira o ‘Correio da Manhã’, cobra mais de 40% em juros em cinco meses: alvo de buscas da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Matosinhos, a suspeita viu serem apreendidas diversas declarações de dívida e telemóveis, nos quais constam várias mensagens ameaçadoras, o que indicia cobrança coerciva.

De acordo com as autoridades, o esquema é simples: por cada mil euros emprestados, a agiota fica logo à partida com os primeiros 100 euros. Só entrega 900, mas exige que lhe sejam pagos 1.300. Isto são 260 euros de prestação mensal em apenas cinco meses, sendo que qualquer dia de atraso acresce mais 30 euros de juros. A declaração de dívida só é devolvida após o pagamento final, o que significa que, se a vítima não pagar, será penhorada pela totalidade da dívida.



“Vivo com medo e com vergonha. Tenho medo dela e tenho medo que a minha família descubra”, refere uma das vítimas, em declarações ao jornal diário, que acabou por se ver envolvida num esquema de dívidas, depois de ter pedido dinheiro emprestado a uma amiga que há mais de 20 anos funciona como banqueira do povo. “Pedi-lhe duas vezes, 2.500 euros. Na segunda vez não consegui pagar e quando os juros começaram a crescer já lhe devia 4 mil euros. Depois, fui novamente enganada e, pelas minhas contas, já paguei 6 mil euros e não há prazo para saldar as dívidas”, continua.

Todas as vítimas confirmam que o esquema tem vários anos, sendo que a agiota incorre agora em crimes de usura e de falsificação de documentos.

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