O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa (Cometlis) arrancou em fevereiro iniciativa “Trovit”, uma equipa dedicada à localização de pessoas desaparecidas, nova valência que surge em resposta ao aumento significativo de comunicações de desaparecimento na região. O chefe João Oliveira, responsável pela equipa Trovit, explicou que nos primeiros quatro meses deste ano foram recebidas 422 comunicações de desaparecimento, exigindo uma monitorização cuidadosa por parte da polícia.
Embora o número de comunicações seja alto, João Oliveira esclarece, em entrevista ao Diário de Notícias, que não representa necessariamente o desaparecimento de 422 pessoas: “A mesma pessoa pode desaparecer várias vezes e cada vez que isso acontece é aberto um processo”.
Por exemplo, nos 422 casos reportados, 209 envolveram menores institucionalizados, muitos dos quais já foram encontrados. “Temos um menor que desapareceu 30 vezes, ou seja, deu origem a 30 comunicações de desaparecimento”, acrescentou.
Embora os números possam ser relativos, a preocupação das autoridades com os desaparecimentos é evidente. A agente principal Fabiana Tomás destaca a importância de proporcionar respostas aos familiares das pessoas desaparecidas, sublinhando que se trata de uma situação delicada que exige uma abordagem dedicada por parte das autoridades.
O comissário Artur Serafim, relações-públicas do comando metropolitano de Lisboa da PSP, explica que a equipa Trovit é uma resposta às necessidades identificadas pelo comando em lidar com casos de desaparecimento. “Esta equipa, que atualmente é composta por três pessoas, integra uma rede de 6500 polícias. Fazemos todos parte dessa rede de localização de pessoas desaparecidas”, descreveu.
Além de coordenar esforços para localizar os desaparecidos, a equipa Trovit também oferece apoio às famílias afetadas. “As famílias deixam, por norma, de ter conhecimento das nossas diligências. Neste caso, esta equipa efetua um contato para aprimorar essa informação. Dá conforto à família, faz saber que continuamos a dar seguimento à participação de desaparecido por forma a encontrá-lo”, disse Serafim.
O nome “Trovit”, explicou João Oliveira, foi escolhido porque significa “encontrar” em Esperanto. “Acabamos por monitorizar todas as comunicações de desaparecimento recebidas no comando de Lisboa para perceber onde é que existem lacunas, onde é que podemos melhorar, onde é que podemos fazer um melhor trabalho”, acrescentou.
Para garantir a eficácia do trabalho de investigação, a equipa Trovit está em constante articulação com os restantes elementos policiais. “Tentamos melhorar procedimentos, propor alterações a determinados métodos de trabalho que estão instituídos e criar um fluxo de comunicação, mesmo dentro do comando de Lisboa”, disse João Oliveira, que destaca ainda a importância de trabalhar em conjunto com outras entidades, como o Instituto de Medicina Legal (IML), hospitais e locais de trabalho das pessoas desaparecidas.
Em casos de suspeita de crime, a investigação é imediatamente encaminhada para a Polícia Judiciária (PJ). “Nós não fazemos investigação criminal. Fazemos uma compilação de informação”, explica, destacando a importância da utilização de redes sociais para obter informações relevantes sobre o desaparecido.














