Da IA ao impacto: The Lisbon MBA Católica|Nova identifica as cinco prioridades da liderança empresarial em 2026

O The Lisbon MBA Católica|Nova Alumni Unite Summit 2026 reuniu mais de 300 participantes na Nova SBE — entre alumni, académicos, líderes empresariais e decisores públicos — para debater os desafios e oportunidades que definem a liderança num mundo em transformação.

André Manuel Mendes
Março 3, 2026
15:41

O The Lisbon MBA Católica|Nova Alumni Unite Summit 2026 reuniu mais de 300 participantes na Nova SBE — entre alumni, académicos, líderes empresariais e decisores públicos — para debater os desafios e oportunidades que definem a liderança num mundo em transformação.

Sob o tema “Navigating a world of changing priorities”, o encontro identificou cinco eixos estratégicos que deverão marcar a atuação das organizações este ano.



 

Liderança num novo ciclo geopolítico

Na sessão de abertura, os co-presidentes do Alumni Board, João Serrano e Mariana Coimbra, juntamente com a diretora executiva do The Lisbon MBA Católica|Nova, Maria José Amich, destacaram o papel do Alumni Club como plataforma ativa de reflexão estratégica, promovendo a ligação entre empresas, academia e sociedade.

Na keynote de abertura, José Maria Pimentel, host do podcast 45 Graus, enquadrou o momento atual como uma mudança de ciclo histórico. Após décadas marcadas por globalização e relativa estabilidade, o contexto atual é definido por rutura geopolítica, redefinição de cadeias de valor e novos equilíbrios de poder. Neste cenário, as empresas assumem um papel ainda mais central como agentes de estabilidade e criação de valor, exigindo líderes com pensamento crítico e visão de longo prazo.

 

Agilidade tornou-se condição de sobrevivência

A incerteza atravessa vários setores — do retalho à energia, da saúde ao imobiliário e à tecnologia — impondo uma capacidade de adaptação rápida. A volatilidade geopolítica, a reorganização das cadeias de abastecimento e a utilização de instrumentos económicos como ferramentas estratégicas obrigam as organizações a estruturas mais flexíveis.

No Think Tank de FMCG & Retail, Leah Johns, da Bain & Company, destacou que, apesar da transformação dos canais de venda — do retalho físico ao social commerce e à inteligência artificial — as necessidades fundamentais dos consumidores permanecem estáveis: segurança, saúde e valor. As empresas vencedoras serão aquelas que conseguem adaptar-se rapidamente sem perder o foco no cliente.

 

Foco estratégico como disciplina de liderança

Num ambiente repleto de oportunidades tecnológicas, os líderes reforçaram a importância de concentrar recursos no “core” do negócio — aquilo que realmente diferencia cada organização.

A redefinição de risco passou a incluir soberania digital, acesso a infraestruturas críticas, estabilidade regulatória e segurança energética. Assim, o foco estratégico torna-se determinante para decidir onde investir, acelerar ou conter expansão.

No setor imobiliário, Claude Kandiyoti, da KREST, salientou que o setor evoluiu de uma lógica centrada na “location” para um contexto dominado pela “regulation”, onde os prazos e a complexidade regulatória influenciam decisivamente o investimento e a acessibilidade.

 

Inteligência Artificial deixa de ser promessa e passa a ser prioridade

A integração da Inteligência Artificial foi apontada como imperativa — não apenas como adoção de ferramentas, mas como transformação estrutural dos processos, decisões e modelos de negócio.

No Think Tank de Tecnologia, com participação de representantes da Microsoft, Cisco e Nova SBE, foi sublinhado que o diferencial competitivo resultará da combinação entre competências humanas e sistemas inteligentes. Pensamento crítico, capacidade de questionar resultados e gestão da mudança foram destacados como competências essenciais.

Na área da Saúde, Francisca Leite, do Grupo Luz Learning Health, referiu que a IA pode ter um impacto decisivo na eficiência e na redução de erros, desde que exista interoperabilidade de dados, reengenharia de processos e enquadramento regulatório adequado.

 

Propósito e impacto como pilares da legitimidade empresarial

A sustentabilidade deixou de ser apenas um tema reputacional para se tornar estratégico. No Think Tank de Sustentabilidade, Inês Costa, da Deloitte, defendeu que os riscos ESG devem ser integrados na estratégia das empresas e não encarados apenas como um exercício de reporte.

A resiliência foi definida como a capacidade de evoluir após crises — e não apenas regressar ao estado anterior — sendo o investimento em adaptação e descarbonização uma decisão económica e estratégica.

 

Portugal como hub estratégico

Portugal apresenta vantagens estruturais relevantes, nomeadamente energia renovável abundante, conectividade internacional e estabilidade institucional, posicionando-se como um potencial hub digital e energético.

No Think Tank de Indústria & Energia, Luís Rodrigues, da Start Campus, destacou que o crescimento da procura por data centers representa uma oportunidade estrutural para o país, com impacto no emprego qualificado e na dinamização regional — particularmente em Sines. Contudo, reforçou a necessidade de articulação entre setor público e privado e de planeamento estratégico integrado.

Na sessão de encerramento, Filipe Santos, Dean da CATÓLICA-LISBON, e Pedro Oliveira, Dean da Nova SBE, sublinharam o papel da educação executiva na formação de líderes capazes de conjugar propósito, responsabilidade e visão sistémica num contexto de transformação global.

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