60% dos empregos de hoje não existiam em 1940. Como será daqui a meio século?

De acordo com o estudo, cerca de 60% dos empregos em 2018 não existiam em 1940. Desde então, a maior parte das novas profissões afastou-se da produção e dos cargos administrativos médios e passou a concentrar-se em funções especializadas bem remuneradas e empregos mal remunerados no setor de serviços

Francisco Laranjeira

As mudanças tecnológicas impulsionam transformações no mercado de trabalho: se os empregos na indústria diminuíram ao longo das últimas décadas, houve novas profissões que surgiram, como motorista de UBER ou gestor de redes sociais.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Um estudo publicado no ‘Quarterly Journal of Economics’ analisou o papel da tecnologia na criação de novos empregos e na reconfiguração da economia. Os investigadores criaram um banco de dados de profissões entre 1940 e 2018 e utilizaram processamento de linguagem natural para investigar novas funções.

De acordo com o estudo, cerca de 60% dos empregos em 2018 não existiam em 1940. Desde então, a maior parte das novas profissões afastou-se da produção e dos cargos administrativos médios e passou a concentrar-se em funções especializadas bem remuneradas e empregos mal remunerados no setor de serviços.

Além disso, os investigadores identificaram dois impactos distintos da tecnologia. Enquanto a ampliação cria novos tipos de empregos, a automação reduz a necessidade de trabalhadores em outras áreas (por exemplo, caixas de supermercados a serem substituídos por máquinas). De acordo com o estudo, a automação eliminou o dobro de empregos entre 1980 e 2018 quando comparado com o período de 1940 e 1980. Embora a ampliação tenha adicionado algumas novas profissões à economia, não foram tantas quanto as perdidas pela automação.

O que coloca a questão sobre o impacto da Inteligência Artificial no crescimento de empregos ou a automação: no entanto, os investigadores apontaram essa questão como um campo para pesquisas futuras. “Temos essa nova ferramenta, mas ainda não sabemos ao certo como usá-la. Novas tecnologias têm pontos fortes e fracos e leva tempo para compreendê-los”, apontou David Autor, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Continue a ler após a publicidade

“Por exemplo, o GPS foi inventado para fins militares e demorou décadas para se tornar parte dos nossos smartphones”, lembrou o investigador, que é o autor principal do estudo. “Esperamos que a nossa abordagem de pesquisa nos permita dizer mais sobre esse assunto no futuro.”

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.