Mar Vermelho. Crise aumenta 40% preço do transporte de ajuda humanitária

Desde novembro, os rebeldes iemenitas têm atacado repetidamente navios no Mar Vermelho devido à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza contra o grupo islamita palestiniano Hamas

Executive Digest com Lusa

A Organização Não-Governamental (ONG) International Rescue Committee (IRC) afirmou hoje que o preço do transporte da sua ajuda humanitária para o Sudão aumentou 40% devido à crise no Mar Vermelho, onde os Huthis atacam navios há meses.

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O IRC afirmou em comunicado que o seu transportador “tomou a difícil decisão” de suspender as operações para Porto Sudão, o principal porto do país africano no Mar Vermelho.

Desde novembro, os rebeldes iemenitas têm atacado repetidamente navios no Mar Vermelho devido à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza contra o grupo islamita palestiniano Hamas, focando maioritariamente as operações contra embarcações israelitas ou com ligações a Israel.

Esta rota representa cerca de 15% do comércio marítimo mundial e os ataques dos Huthis, considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos, levou a que várias companhias marítimas internacionais evitassem esta zona.

Devido a isso, a ONG “viu-se obrigada a procurar rotas alternativas” para fazer chegar à população material médico essencial para os serviços de saúde no Sudão devastado pela guerra desde abril de 2023, palco da maior crise de deslocados do mundo.

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“Os carregamentos que costumavam demorar uma ou duas semanas, no máximo, demoram agora meses a chegar até nós”, afirmou o diretor nacional do IRC no Sudão, Eatizaz Yousif, que referiu que Porto Sudão é “o principal centro das agências de ajuda humanitária na região”.

A alternativa apresentada à ONG foi a de reencaminhar a rota através de uma outra companhia de navegação que opera a partir do porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, para Porto Sudão, o que significaria um aumento de 40% nas operações.

“As rotas alternativas implicam distâncias de transporte mais longas, o que aumenta os tempos de trânsito e, consequentemente, provoca atrasos na entrega de ajuda urgente aos necessitados, tornando as nossas operações difíceis e dispendiosas”, afirmou.

De acordo com as autoridades locais, o Sudão tornou-se dependente da importação de produtos básicos depois de a guerra ter destruído 80% das fábricas em Cartum, a capital, e da refinaria de petróleo da região ter deixado de funcionar, pelo que a diminuição drástica das chegadas de navios coloca o país numa situação ainda mais difícil.

Cerca de 13.900 pessoas morreram e 8,1 milhões fugiram das suas casas devido aos confrontos entre o exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), segundo os dados das Nações Unidas revelados em 23 de fevereiro.

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O Armed Conflict Location and Event Data Project (ACLED) calcula que cerca de 13.900 pessoas foram mortas desde o início do conflito no país, em 15 de abril de 2023, enquanto o Ministério Federal da Saúde do Sudão anunciou que cerca de 27.700 pessoas ficaram feridas entre essa data e a última semana de janeiro.

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