“Incidente que pode ficar rapidamente fora de controlo”: EUA lamenta recusa da China em conversar

Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, sublinhando que é “lamentável” que a China tenha recusado a oferta americana para falar numa cimeira de defesa em Singapura

Francisco Laranjeira

A contínua falta de comunicação pode resultar “num incidente que pode rapidamente ficar fora de controlo”, alertou esta quinta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, sublinhando que é “lamentável” que a China tenha recusado a oferta americana para falar numa cimeira de defesa em Singapura.

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“Já me ouviram falar várias vezes sobre a importância de os países, com grandes capacidades, poderem falar uns com os outros para poderem gerir as crises e evitar que as coisas se descontrolem desnecessariamente”, indicou Austin, em conferência de imprensa no Japão, na companhia do ministro da Defesa japonês, Yasukazu Hamada.

“E quando olhamos para algumas das coisas que a China está a fazer no espaço aéreo internacional e nas vias navegáveis internacionais, as interceções provocatórias dos nossos aviões e também dos aviões dos nossos aliados, isso é muito preocupante e esperamos que alterem estes comportamentos. Mas, uma vez que ainda não o fizeram, preocupa-me a possibilidade de, a dada altura, ocorrer um incidente que poderá rapidamente ficar fora de controlo”, alertou o responsável americano.

No entanto, referiu que “acolheria de bom grado qualquer oportunidade de dialogar” com os líderes chineses.

Recorde-se que esta quinta-feira Pequim acusou Washington de “interferência e vigilância” durante um exercício naval no Mar do Sul da China, na sequência das manobras de interceção protagonizadas por um caça chinês, que o Pentágono considerou desnecessárias e agressivas.

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Um comunicado divulgado pelo Comando do Teatro de Operações Sul do exército chinês disse que “organizou as forças aéreas para rastrear e acompanhar todo o processo e que lidou com o caso de acordo com as leis e regulamentos e de forma profissional”.

O porta-voz do Comando do Teatro de Operações Sul do exército chinês, o coronel Zhang Nandong, acusou no comunicado os EUA de “misturarem preto e branco e fazerem falsas acusações, na tentativa de confundir o público”. “Pedimos solenemente aos EUA que restrinjam conscientemente as ações das forças navais e aéreas da linha da frente, cumpram com rigor as leis internacionais relevantes e os acordos relevantes e evitem acidentes no mar e no ar”, disse Zhang. “Caso contrário, os EUA arcarão com todas as consequências”, advertiu.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse esta quarta-feira que o incidente do avião mostrou a importância de os EUA e a China manterem o diálogo entre as altas patentes do exército. Blinken afirmou que é “lamentável” que Pequim tenha rejeitado o pedido para uma reunião com o ministro da Defesa chinês.

“Acho que isto apenas ressalta por que é tão importante que tenhamos linhas de comunicação regulares e abertas entre os nossos ministros da Defesa”, disse.

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