Covid-19: Cientistas alertam que a Ómicron não será a última versão do vírus que vai preocupar o mundo

Especialistas garantem que a rápida propagação da nova variante pelo mundo prova que não será a última versão do vírus

Francisco Laranjeira

O coronavírus ainda não esgotou o alfabeto grego, segundo alertam os cientistas, que garantem que o avanço vertiginoso da Ómicron praticamente garante que não será a última versão do vírus a preocupar o mundo. Cada infeção dá oportunidade ao vírus de sofrer mutações e a Ómicron tem uma vantagem sobre os antecessores: espalha-se muito mais rápido num planeta com uma ‘colcha de retalhos’ de imunidade a vacinas e doenças anteriores.

O que significa? Mais pessoas ‘disponíveis’ para o vírus evoluir. Os especialistas ainda não sabem como serão as próximas variantes ou como vão moldar a pandemia mas dizem que não garantias que as sequelas da Ómicron vão causar doenças mais leves ou que as vacinas existentes funcionam contra elas. É por isso pedido uma vacinação mais ampla, enquanto ainda funciona.

“Quanto mais rápido a Ómicron se espalha, mais oportunidades existem para mutação, potencialmente levando a mais variantes”, frisou Leonardo Martinez, epidemiologista de doenças infeciosas da Universidade de Boston. As pesquisas apontam que a nova variante é pelo menos duas vezes mais contagiosa do que a Delta e pelo menos quatro vezes mais contagiosa do que a versão original do vírus.

É mais provável que a Ómicron do que a Delta reinfete indivíduos que já tiveram a Covid-19 e cause “infeções revolucionárias” em pessoas vacinadas, enquanto também ataca os não vacinados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registou um recorde de 15 milhões de novos casos da Covid-19 na semana entre 3 a 9 de janeiro, um aumento de 55% em relação à semana anterior.

A facilidade com que a variante se espalha aumenta as chances de o vírus infetar e permanecer dentro de pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos – dando-lhe mais tempo para desenvolver mutações potentes. “São as infeções mais prolongadas e persistentes que parecem ser o terreno fértil mais provável para novas variantes”, revelou Stuart Campbell Ray, especialista em doenças infeciosas da Universidade Johns Hopkins. “É somente quando existe uma infeção muito difundida que se fornece a oportunidade para que isso ocorra.”

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Os vírus não se espalham bem se matarem os seus hospedeiros muito rapidamente. Mas os vírus nem sempre ficam menos mortais com o tempo. Uma possível nova variante também poderia atingir o seu objetivo principal – replicar-se – se as pessoas infetadas desenvolvessem sintomas leves inicialmente, espalhassem o vírus interagindo com outras pessoas e ficassem muito doentes mais tarde, explicou Stuart Campbell Ray, a título de exemplo.

“As pessoas perguntam-se se o vírus evoluirá para uma forma mais branda mas não há qualquer razão específica para isso”, referiu. “Acho que não podemos ter a certeza de que o vírus vai tornar-se menos letal ao longo do tempo.”

Ficar progressivamente melhor em evitar a imunidade ajuda um vírus a sobreviver a longo prazo. Quando o SARS-CoV-2 ocorreu pela primeira vez, ninguém estava imune. Mas as infeções e vacinas conferiram pelo menos algum grau de imunidade a grande parte do mundo, então o vírus teve de se adaptar.

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Stuart Campbell Ray comparou as vacinas a uma armadura para a humanidade que dificulta muito a propagação viral, mesmo que não a impeça completamente. Para um vírus que se espalha exponencialmente, relembrou, “qualquer coisa que reduza a transmissão pode ter um grande efeito”. Além disso, quando as pessoas vacinadas ficam doentes, Ray disse que a sua doença geralmente é mais leve e desaparece mais rapidamente, deixando menos tempo para gerar variantes perigosas.

Novas variantes são inevitáveis, apontou também Louis Mansky, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Minnesota. Com tantas pessoas não vacinadas, referiu, “o vírus ainda está no controlo do que está a acontecer.”

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