“A guerra não vai acabar com reuniões, vai acabar quando a Rússia decidir”, alerta Guterres

Guterres afirmou ainda que o conflito também poderá ter um fim “quando houver – após um cessar-fogo – a possibilidade de um acordo político sério”.

Simone Silva

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse na quarta-feira que a guerra em curso entre a Ucrânia e a Rússia vai continuar até que esta última decida pôr um fim.

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Em entrevista à ‘CNN’ Internacional, o responsável sublinhou que “a guerra não vai acabar com reuniões”, mas sim apenas “quando a Federação Russa decidir”.

Guterres afirmou ainda que o conflito também poderá ter um fim “quando houver – após um cessar-fogo – a possibilidade de um acordo político sério. Podem existir todas as reuniões, mas não é isso que vai acabar com a guerra”, reiterou.

Na mesma entrevista, o secretário-geral da OBU votou a mostrar as suas “preocupações com as violações das leis internacionais humanitárias e de direitos humanos e com a possibilidade de crimes de guerra”, manifestando a intenção de saber “como é que podemos, pelo menos minimizar as  mais dramáticas situações”.

“Vou concentrar os meus esforços nas evacuações e corredores humanitários e, em particular, na situação dos civis que estão presos numa fábrica em Mariupol”, sublinhou ainda o responsável, adiantando que “o Presidente Putin concordou comigo em principio que iriamos evacuar os civis em território ucraniano”.

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Recorde-se que Guterres visitou Moscovo na terça-feira, tendo estado reunido com o Putin e o chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov. No final do encontro, o responsável disse que vinha “a Moscovo como mensageiro da paz. Os meus objetivos e a minha agenda é estritamente salvar vidas e reduzir o sofrimento”.

Para cumprir essa missão, esta quinta-feira, o responsável encontra-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky em Kiev. Guterres chegou ontem ao final da tarde, tendo-se deslocado da Polónia para a capital ucraniana. Nessa altura, falou aos jornalistas, sublinhando que a sua “prioridade é retirar civis da fábrica da Azovstal na sexta-feira”.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, desencadeando uma guerra que provocou um número de baixas civis e militares ainda por determinar.

A ONU confirmou na quarta-feira que pelo menos 2.787 civis morreram e 3.152 ficaram feridos, mas manteve o alerta para a probabilidade de os números serem consideravelmente superiores.

O conflito levou mais de 5,3 milhões de pessoas a fugir da Ucrânia, na pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, segundo a ONU.

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