Após a aprovação do texto final da eutanásia, esta quarta-feira, na especialidade, que seguirá para a votação final na sexta-feira na Assembleia da República, o Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa divulgou ter recebido a notícia “com tristeza”.
O órgão frisa que a decisão tomada “num momento preocupante” – referindo-se à guerra na Ucrânia, recessão socioeconómica e à “fragilidade” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – não garante “o justo equilíbrio entre a proteção da vida e o respeito pela autonomia do doente”, segundo um comunicado onde expressa a sua posição sobre a aprovação da legalização da eutanásia.
“Embora não esteja concluído todo o processo legislativo e permaneça alguma esperança de que o diploma aprovado possa ainda ser alterado, queremos afirmar que, com esta legalização, é quebrado o princípio ético fundamental que se traduz na proibição de provocar intencionalmente a morte”, defendem os bispos na nota.
A Igreja Católica acredita que “ao apresentar a morte provocada como resposta e solução para as pessoas que sofrem devido a doenças, em fase terminal ou não, ou ainda devido a deficiências graves, o Estado e os serviços de saúde veiculam uma perigosa mensagem a estas pessoas que, em situação de desespero, podem ser levadas a desistir de viver”.
Para os bispos, “a resposta de uma sociedade adulta e esclarecida ao sofrimento, à dor e ao desespero não é abandonar quem sofre e aqueles que os acompanham, mas confortar, cuidar e amar para restaurar a esperança e dignificar a vida humana até ao seu fim natural”.
“A eutanásia e o suicídio assistido constituem graves ameaças para a humanidade”, defendem salientando que “a defesa da vida não se limita aos planos legislativo e jurídico”.
Como tal, apelam a que famílias e profissionais de saúde “rejeitem as possibilidades abertas pela legalização da eutanásia e do suicídio assistido e nunca deixem de testemunhar que a vida humana é sempre um dom precioso, em todas as suas fases, desde a conceção até à morte, que nunca deve ser intencionalmente provocada”.














