Da epilepsia de Júlio César à síndrome rara de Alexandre o Grande: As doenças que ditaram o fim de grandes líderes mundiais

Ficaram imortalizados para sempre na História, por terem liderado povos, nações e impérios, mas em comum têm algo em comum: foram afetados por doenças, mais ou menos graves, raras ou comuns, que modelaram o seu comportamento e forma de ver o mundo.

Pedro Zagacho Gonçalves

Ficaram imortalizados para sempre na História, por terem liderado povos, nações e impérios, mas em comum têm algo em comum: foram afetados por doenças, mais ou menos graves, raras ou comuns, que modelaram o seu comportamento e forma de ver o mundo. Vários líderes mundiais viram mesmo a vida condicionada pelas doenças que os afetavam, são exemplo disso Alexandre o Grande, Júlio César, Filipe V de Espanha.

Alexandre o Grande morre com “delírios e febres”
Alexandre II da Macedónia, eternizado como Alexandre o Grande, não é nome que associemos regularmente a problemas de saúde. Esta famoso rei, que chegou ao trono aso 20 anos, em 336 a.C., dominou territórios no Egito, Pérsia e Ásia Central.

Não conquistou mundo pela sede de poder, mas sim porque tinha sede de aventura. “Não queria riqueza, presentes ou prazeres, mas um império que lhe ofereceria batalhas, guerras e glória”, escreveu Plutarco.

No entanto, o legado de Alexandre o Grande ficará sempre marcado pela forma abrupta como morreu o líder macedónio. Na Babilónia, Alexandre começou a ser afetado por “febres altíssimas e delírios”. Acabou por morrer 11 dias depois, “com uma febre que não passava”.

Desconhece-se a causa exata da morte, mas três possibilidades são apontadas: envenenamento, malária ou a doença neurológica conhecida como síndrome de Guillain-Barré. Esta última possibilidade, que surgiu após investigação em 2019, coloca esta doença rara, que causa paralisia ou até coma profundo, como responsável pela morte de Alexandre o Grande.

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Esta ideia explicaria a declaração do historiador do século a.C, Quintus Curtius Rufus, que escreveu que o corpo de Alexandre III não entrou em decomposição durante uma semana: na realidade a sua morte poderá ter sido declarada prematuramente.

Júlio César sofria de epilepsia
Admirador de Alexandre o Grade, também Júlio César viu a vida marcada pela doença que o afetava. O imperador romano, de acordo com o livro do século II a.C ‘A Vida dos 12 Césares’, sofreu o primeiro ataque epilético ainda jovem, em Córdoba, Espanha. Vários historiadores romanos referem, de uma forma ou de outra, os ataques que afetavam César.

Plutarco também destaca “as dores de cabeça” de que o imperador se queixava, e que o impediam por vezes de combater, obrigando-o a fazer retiros temporários em castelos para recuperar a saúde.

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Estudos recentes, citados pelo El País, adiantam que Júlio César poderia sofrer de esclerose cerebral, agravada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

O rei ‘focinho de Porco’
Enquanto Júlio César conseguiu esconder a doença, o rei Balduni IV de Jerusalém não teve a mesma sorte. O monarca, que subiu ao trono em 1174, não tinha a mesma sorte: foi diagnosticado com lepra logo aos nove anos.

“Percebi que metade da mãe e do braço estavam mortos. Não sentia quando eu o picava, ou se fosse mordido”, relatou o professor que descobriu que Balduni sofria da doença.
A ‘maldição divina’, como se chama à lepra, fez com que perdesse parte dos dedos dos pés e das mãos. Ficou com a cara completamente deformada, acabando por morrer aos 24 anos com a alcunha de “Rei Focinho de Porco”.

Doenças ‘à moda de Espanha’
Aqui mesmo ao lado, vários líderes espanhóis também sofreram vidas inteiras marcadas pelas doenças. Afonso X, com o cognome ‘o Sábio’, e que deixou alguns trabalhos poéticos, sera conhecido pelo sem temperamento irritável: tanto que num acesso de raiva terá assassinado um irmão com quem discutia. O filho, Sancho, chamava-lhe “louco e leproso”.

Isto acontecia porque o rei Afonso X sofria de cancro maxilo-facial, que lhe causaria dores excruciantes em toda a cabeça, bem como uma grande pressão num dos globos oculares.

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Filipe V de Espanha, conhecido como ‘O Alegre’, tinha este cognome apesar das súbitas mudanças de humor que demonstrava. Era conhecidos os “vapores de melancolia” do monarca que “estava sob constante tristeza”. “Diz que acredita que vai morrer a qualquer momento. Gostava de estar trancado, e não estar com ninguém que não conhecesse”, escreve o Marquês de Louville, amigo do rei, numa carta. Depressão, ansiedade, autismo ou distúrbio de personalidade: até hoje os historiadores ainda não sabem de que maleita sofria o rei.

Dois seculos depois, o último presidente da República espanhol, Manuel Azaña, morria. Marcou o fim de uma era na história de Espanha, mas morreu no exílio, em França, a sofrer de dores em todo o corpo, dificuldades de locomoção e com um esgotamento.
Os médicos apontaram-lhe ansiedade e stress, mas o que poderia afetar Azaña seria uma cardiomiopatia dilatada, doença conhecida como ‘coração de boi’, que causa uma dilatação extrema da artéria aorta.

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