Um novo inquérito do Banco de Portugal revela que mais de metade das empresas aponta para um impacto negativo ou muito negativo na evolução do volume de negócios: 59% culpa a redução das encomendas ou clientes e 56% fala das novas medidas de contenção impostas na sequência da pandemia de COVID-19.
Se olharmos para os sectores do alojamento e da restauração, o cenário é mais grave: 84 e 82%, respectivamente, fala em impacto negativo ou muito negativo no volume de negócios actual.
O “Inquérito Rápido e Excepcional às Empresas – COVID-19”, realizado junto de seis mil empresas, indica também que entre 19 e 30% das empresas inquiridas beneficia neste momento de algum dos apoios anunciados pelo Governo. A maioria acredita que as estas soluções são muito importantes para a liquidez do tecido empresarial.
Uma vez mais, considerando apenas as empresas de alojamento e restauração, nota-se um valor mais elevado, com pelo menos 50% das companhias inquiridas a beneficiar de alguma medida apresentada pelo Governo.
Ainda assim, mesmo perante um cenário de incerteza, 85% do total das empresas que participaram na análise deverá manter os postos de trabalho até ao final deste ano. Por outro lado, 10% tem planos nos sentido de reduzir o quadro laboral ainda em 2020.
No próximo ano, 74% das empresas planeia manter os postos de trabalho. No alojamento e na restauração, a a proporção de empresas que planeia reduzir os postos de trabalho, quer até ao final do ano quer em 2021, ronda os 35%, de acordo com o Banco de Portugal.
Progressivo regresso ao normal
34% das empresas considera que a actividade já voltou ou voltará ao normal num intervalo médio de 9,8 meses, isto num cenário de controlo efectivo da pandemia já no próximo ano. No mesmo contexto, somente 4% dos inquiridos não prevê um regresso ao normal e 62% não consegue fazer este exercício de antecipação relativamente ao volume de negócios.
Contudo, noutro contexto, as dúvidas aumentam: 90% das empresas manifesta preocupação elevada ou moderada relativamente a um agravamento ou prolongamento das medidas de contenção da pandemia e de ausência de medidas adicionais de apoio aos negócios.
Apenas 16% deverá conseguir subsistir, em média, cerca de sete meses num cenário deste tipo. No sector de alojamento e restauração, a percentagem sobe para 42% e o tempo médio de subsistência desce para 5,3 meses.
E o futuro do trabalho?
Tal como Bill Gates já previu, as viagens de trabalho deverão sofrer com a pandemia: 59% das empresas inquiridas pelo Banco de Portugal considera muito provável a redução do número de viagens de negócios. Ainda sobre alterações permanente na forma de trabalhar, 31% aponta para o uso mais intensivo do teletrabalho.













