Uma poderosa obra de arte em vídeo de 10 minutos, assim define o Imperial War Museum em Londres, o trabalho que lançou hoje para assinalar o 75.º aniversário do lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki.
O museu contratou os cenógrafos Es Devlin (britânico) e Machiko Weston (japonês) para fazer um trabalho, uma video-instalação, que conta as histórias e explora o impacto dos atentados de diferentes perspectivas.
O filme, “Eu Vi o Fim do Mundo”, divulgado através do site do museu, conta com as participações dos próprios artistas que surgem a ler textos curtos de uma variedade de fontes, incluindo trechos do romance profético de HG Wells, The World Set Free, de 1914, no qual imaginava que uma bomba devastadora seria lançada de aviões.
Devlin é um dos principais designers de palco do mundo, cujo trabalho diversificado inclui a produção de Sam Mendes da Trilogia Lehman, a Royal Opera Don Giovanni e tours em estádios com artistas de renome internacional como a Adele e a Katy Perry. Weston é seu colega de estúdio há 12 anos.
Trabalhando separadamente durante o confinamento ditado pela pandemia do novo coronavírus, a dupla inicialmente começou a imaginar um trabalho com muitas imagens visuais, mas logo se tornou desconfortável.
“Simplesmente não sentíamos que tínhamos autoridade para invocar o poder de qualquer uma destas imagens”, disse Devlin, em declarações ao ‘The Guardian’. “Sentíamos que não tínhamos autoridade para escrever. Portanto, sentimos que a leitura coletiva era a resposta adequada”, reforçou.
O trabalho deveria ter sido revelado oficialmente na manhã desta quinta-feira, numa tela de 45 metros no Piccadilly Circus de Londres, mas o trágico evento em Beirute levou os organizadores a cancelar.
Em vez disso, foi revelado pela primeira vez em uma tela de 1 metro no Museu Imperial da Guerra, às 8h15, hora a que a 6 de agosto de 1945 a bomba atómica foi lançada do Enola Gay na cidade de Hiroshima.
Começou por estimar-se que teriam morrido entre 80 mil a 350 mil habitantes da cidade mas, no final do ano, o número de mortos atingiu os 140 mil.




