No primeiro trimestre deste ano, o setor do imobiliário manteve o desempenho forte dos últimos tempos: no investimento, a atividade cresceu mais de 3 vezes para os 1.470 milhões de euros, enquanto nos escritórios a ocupação avançou 7%, segundo apurou o relatório trimestral ‘Market Pulse’ da JLL,consultora imobiliária e gestora de investimento, divulgado esta quinta-feira.
Apesar de concluir que o setor ficou marcado pela chegada da pandemia da covid-19, o estudo destaca que a habitação, considerando o universo de vendas realizadas pela JLL, registou igualmente uma tendência de crescimento robusto, sendo que também o retalho manteve bons níveis de atividade no agregado do trimestre.
“O mercado imobiliário iniciou o ano com tal robustez que a travagem da atividade nos últimos 15 dias de março devido à pandemia, não impactou o desempenho positivo do trimestre. Este é desde logo um ponto de partida positivo para a retoma pós Covid-19, que acreditamos que começará a desenhar-se a partir do terceiro ou, no limite, do quarto trimestre”, detalha Pedro Lancastre, diretor geral da JLL Portugal, em comunicado.
Em matéria de investimento, o imobiliário comercial atraiu 1.470 milhões no 1.º trimestre de 2020, evidenciando um crescimento mais de 3 vezes superior face ao mesmo período de 2019 e refletindo um fluxo de operações que já se encontravam numa fase bastante avançada de concretização quando o vírus surgiu na Europa, no final de fevereiro.
Os setores de retalho, com um peso de 55%, e de hotelaria, com um peso de 26%, foram os mais dinâmicos, destacando-se as operações de venda de 50% da posição da Sierra Prime num portefólio de 6 centros comerciais; e a venda do portefólio dos Hotéis Real.
Destacam-se ainda os escritórios, com uma quota de 17% e de onde se evidencia a operação de venda do portefólio PREOF com 52.000 m2 de escritórios. As yields prime mantiveram-se em mínimos históricos, à exceção dos retail parks. Os dois segmentos que movimentaram o maior volume de investimento no trimestre deverão ser os mais afetados nos próximos meses, influenciados pelas quebras nos respetivos mercados ocupacionais.
Nos escritórios, a ocupação trimestral em Lisboa ascendeu a 44.671 m2, mais 7% do que em 2019. Março trouxe já algum abrandamento ao mercado, mas não o suficiente para travar os resultados agregados, os quais continuaram a refletir o contraste de uma elevada procura com a escassez de espaços de qualidade, ficando a taxa de disponibilidade em 5,4%.
Neste período, as zonas do CBD, Parque das Nações e Corredor Oeste concentraram 75% da área ocupada, com quotas semelhantes em torno dos 25%. A renda prime manteve-se nos 25€/m2/mês.
Para 2020, as previsões apontam para que cheguem ao mercado 9 novos edifícios num total de 70.000 m2, parte dos 527.000 m2 previstos para os próximos anos. A pandemia, contudo, poderá afetar os planos de desenvolvimento da construção e o take-up, embora fique claro que, independentemente do ritmo futuro do mercado, os espaços de escritórios terão que adaptar-se às novas formas de teletrabalho que deverão passar a marcar o setor.







