Zona euro à beira da ruptura devido à crise de coronavírus

O surto de coronavírus tem vindo a pressionar a zona euro, agitando os países do bloco europeu e trazendo à superfície diferenças históricas.

Simone Silva

A zona euro, na qual 19 países partilham a mesma moeda, enfrenta dificuldades financeiras que têm conduzido a diversas preocupações sobre o futuro do bloco europeu, motivadas pelo aumento da propagação do novo coronavírus na Europa, de acordo com a ‘CNBC’.

«Podemos vir a observar uma ruptura do euro», disse Karel Lannoo, CEO da CEPS, sediada em Bruxelas, à CNBC na quarta-feira, acrescentando que os custos seriam «enormes». Em seu entender, a zona euro necessita de uma política fiscal comum, que torne a sua resposta em tempos de crise muito mais rápida. «Vamos aproveitar esta oportunidade para apresentar políticas fiscais em toda a UE», reforçou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha revelado, no início deste mês, que a Europa se tinha tornado no novo epicentro do coronavírus. Países como Itália, França, Espanha e Portugal estão a realizar um esforço constante para impedir que o vírus se propague ainda mais, afectando substancialmente as suas economias.

Apesar da zona euro não ter, até ao momento, oferecido qualquer estímulo fiscal para combater a pandemia, ao contrário do que fez o governo americano, os países da UE já anunciaram individualmente programas de estímulo fiscal. Por exemplo Portugal lançou uma linha de crédito para as empresas, no valor de três mil milhões de euros. Itália prometeu um plano de resgate de 25 mil milhões de euros e a França disse que ia investir 45 mil milhões de euros para mitigar o impacto do coronavírus nas empresas.

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, coordena os trabalhos dos 19 ministros de finanças da zona euro, admitindo à CNBC que a crise do coronavírus requer uma acção «rápida e coordenada» da zona euro. «Não estamos em 2008», disse referindo-se à crise financeira global, acrescentando que o impacto do coronavírus é de «natureza diferente».

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