A análise de Javier de Argumosa, CEO da PRIO
O relatório de Mario Draghi sobre o futuro da competitividade europeia sublinha algo incontornável: a Europa enfrenta um dos períodos mais desafiantes da sua história recente. Num contexto geopolítico marcado por conflitos regionais, polarização e instabilidade económica, é fundamental uma visão europeia unida e uma abordagem estratégica para preservar e fortalecer a sua posição no panorama global.
Os dados do recente Barómetro reflectem bem as prioridades identificadas pelos inquiridos. A diversificação das cadeias de abastecimento e o reforço da produção de materiais e tecnologias críticas emergem como vetor urgente para 67% dos participantes. Há uma preocupação clara: a Europa deve reduzir a sua dependência de fontes externas de energia e matérias-primas. A industrialização verde, apoiada por políticas que promovam a aposta das organizações em inovação e sustentabilidade, é o caminho para uma maior resiliência e competitividade.
Há que concorrer pelos investimentos, por bons projectos na Europa, e Portugal tem vantagens competitivas extraordinárias. É necessário dar condições para que o investimento privado e público possam coexistir de forma harmoniosa, com neutralidade tecnologia – sem dogmatismos em favor de uma em relação a outra – com desburocratização, apoios públicos quando as tecnologias não estão estabilizadas e segurança regulatória.
A transição energética está no centro deste debate. É essencial que seja inclusiva e acessível, promovendo a capacidade industrial para reforço do sector energético com soluções sustentáveis já existentes para actuação imediata e impulsione o desenvolvimento de soluções futuras. A electrificação, os gases renováveis e os biocombustíveis desempenham um papel fundamental aqui. Orgulhamo-nos de estar na linha da frente na oferta de um mix de soluções sustentáveis e acessíveis, mas também em projectos inovadores que promovem a descarbonização. Acreditamos que o desenvolvimento industrial e a transição energética são objectivos indissociáveis. Para os alcançar, há que investir na digitalização, eficiência energética e infraestruturas de segurança. O compromisso com a inovação e sustentabilidade pede um esforço coletivo.
Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 225) da Executive Digest, no âmbito da XXXIX edição do seu Barómetro.





