Verdes Anos

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais

A música foi celebrizada por Carlos Paredes, um brilhante compositor português, grande responsável pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.

O tema Verdes Anos, dos mais reconhecidos do reportório de Paredes, foi, inicialmente, apenas instrumental, mostrando todo o esplendor da guitarra portuguesa, passando, numa fase posterior, a contar com a voz de Teresa Paula Brito, na sua verão cantada. Ora, é exactamente aí que nos encontramos – enquanto País, enquanto Europa, enquanto Mundo – na composição dos Verdes Anos.

Ao que parece, é aí que viveremos nos próximos tempos. Numa primeira fase, e à imagem da música de Carlos Paredes, apenas instrumental, mas necessitamos da versão cantada.

A Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira uma proposta de regulamento de um Certificado Verde Digital, para ajudar a restaurar a liberdade de circulação no espaço comunitário. Uma nova realidade.

Infelizmente, estamos ainda na fase instrumental da música e para a elaboração do tão aguardado Certificado Verde Digital, poderemos esperar que este venha a conter três tipos de informação: um certificado de vacinação, um teste à covid-19 realizado por altura da viagem ou um comprovativo de recuperação e imunidade de quem já teve a doença.

Na música como na vida, as notas têm de fazer sentido, e é pretendido pela Comissão Europeia que seja um formato uniforme e de reconhecimento mútuo dentro da EU, ainda que este reconhecimento não seja obrigatório. Começa a música a destoar.

O Certificado Verde será, segundo a Comissão Europeia, gratuito, poderá ser digital ou em papel, na língua do cidadão e em inglês e a sua implementação estará prevista para Junho, mas… ainda tem de ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho Europeu e acontece que, o nosso país e também os restantes países da União Europeia que fazem depender em larga escala a sua economia no Turismo, necessitam da parte cantada da música antes de Junho…

Para complicar a composição do tema, existe ainda a decisão de cada um dos empresários. A título de exemplo, um estudo recentemente publicado no Reino Unido, o terceiro país com a vacinação mais avançada no mundo (e nosso principal mercado), indica-nos que uma parte significativa dos seus CEO´s se recusa a abrir os seus escritórios enquanto os trabalhadores não estiverem todos vacinados, para além de que já fizeram saber que desejam tornar a vacina obrigatória para segurança de todos.

Esta posição assumida pelos empresários do Reino Unido e, tendo também já ouvido diversos empresários nacionais que partilham dos mesmos receios, leva-me a uma reflexão… deveria haver um programa especial de vacinação para profissionais de Turismo?

Bem sei que a questão é controversa… mas penso que merece reflexão.

Acredito no Turismo enquanto um dos desígnios do nosso país. Acredito no Turismo enquanto motor da nossa economia. É sabido o seu impacto no PIB nacional. O Turismo é, sem dúvida alguma, um dos grandes geradores de emprego e é indiscutível que é uma actividade de elevado contacto e consequente exposição.

Este vírus que tarda em desaparecer tem-se multiplicado em diversas estirpes e nos Verdes Anos que se seguem, em que teremos obrigatoriamente de conviver com esta nova realidade, temos de dar confiança a quem nos visita e também segurança a quem trabalha.

Não tenho dúvidas que ajudaria à composição da música e que tornaria o nosso país como um dos mais bem preparados se esta medida fosse implementada.

Fica a reflexão para enfrentarmos os Verdes Anos. Mais fortes. Mais preparados. E na vanguarda da indústria.

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