A Universidade NOVA de Lisboa alcançou o primeiro lugar da categoria de escolas e universidades no ranking RepScore, consolidando-se como uma referência no ensino superior. Em entrevista à Executive Digest, João Sàágua, reitor da NOVA, reflecte sobre o significado deste reconhecimento, destacando a aposta na excelência académica, inovação e impacto social.
A NOVA alcançou uma posição de destaque no RepScore. O que representa este reconhecimento para a universidade?
O primeiro lugar no RepScore confirma a NOVA como referência no ensino superior, reconhecida pela excelência académica, pela inovação e pelo impacto na sociedade. Significa também, e para nós isso é muito importante, que a grande abertura, destes últimos oito anos, da NOVA à sociedade, a instituições privadas e públicas para desenvolver com elas projectos colaborativos inovadores em prol do País, está a ser devidamente reconhecida. Este reconhecimento reflecte a confiança na nossa comunidade académica, dos empregadores e dos parceiros, validando a qualidade do ensino e da investigação. Celebrando 50 anos, a NOVA consolidou a sua reputação nacional e internacional, sendo uma das instituições portuguesas mais reconhecidas na Europa. O RepScore reforça a nossa capacidade de atrair talento e potenciar colaborações, incentivando uma forte ligação ao mercado de trabalho e a continuação da aposta na excelência.
Como é que a NOVA define e trabalha a sua reputação a nível nacional e internacional?
O nosso foco não é a reputação em si, mas sim a excelência, e trabalhamos para atingir patamares de excelência internacional, desde logo europeia. A reputação vem do sucesso nessa prossecução constante de excelência. É a excelência académica, na investigação de ponta, na educação, na inovação e na internacionalização ao serviço do impacto na sociedade.
Mais do que uma instituição que produz conhecimento, a NOVA assume-se como uma universidade que coloca esse conhecimento ao serviço da comunidade. No domínio académico e científico, a NOVA aposta em programas inovadores e multidisciplinares, garantindo que os seus alunos e investigadores estão na linha da frente da produção e disseminação do conhecimento.
Quanto à internacionalização, ela é, de facto, um dos traços distintivos da NOVA. 22% dos nossos estudantes são estrangeiros (e estou só a falar de estudantes da NOVA, não de estudantes em mobilidade na NOVA); 16% dos nossos professores e investigadores são estrangeiros; e quase 5% do nosso staff técnico é estrangeiro. 50% das nossas publicações são feitas em colaboração internacional. Somos a universidade portuguesa com maior sucesso na captação competitiva de fundos europeus para a investigação.
Quanto à internacionalização da nossa actividade académica, a universidade decidiu nos últimos oito anos focar-se numa geoestratégia centrada no Atlântico Sul, América Latina e África Subsahariana, na Europa e no Magrebe. Nesse sentido, a NOVA integra alianças europeias de universidades de excelência, como a EUTOPIA, reforçando o nosso impacto na região. Temos, também, alianças e projectos estratégicos com universidades brasileiras e dos PALOP. Mas a NOVA vai além-fronteiras de uma forma única em Portugal: criou o primeiro International Campus de uma universidade portuguesa no estrangeiro, no Egipto. O campus NOVA Cairo faz parte da estratégia de desenvolvimento internacional da NOVA, contribuindo para o seu posicionamento como universidade europeia que cumpre o desiderato de ser “global e cívica” e, também, de internacionalização do Ensino Superior Português.
De que forma a reputação da NOVA influencia a captação de novos alunos, tanto portugueses como estrangeiros?
A reputação da NOVA desempenha um papel importante na atracção de novos alunos, tanto portugueses como estrangeiros. Os estudantes são cada vez mais criteriosos na escolha da instituição de ensino superior. A qualidade do trabalho da NOVA tem produzido resultados muito positivos, reflectindo-se na elevada procura pelos seus cursos. No Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior dos últimos anos, a NOVA preencheu sempre mais de 100% das vagas disponíveis e aumentou sempre as primeiras escolhas, indicadores claros da sua atractividade para os estudantes portugueses. O facto de a universidade ser constantemente reconhecida nos rankings internacionais, de ter acreditações internacionais em várias áreas e de integrar redes académicas globais atesta claramente a qualidade do nosso trabalho e contribui, assim, para a nossa reputação.
Quais são os principais desafios que uma universidade como a NOVA enfrenta para consolidar a sua reputação num sector altamente competitivo?
Em termos gerais, são dois: mantermo-nos na “linha da frente”, tanto na nossa actividade académica, como nos principais serviços de apoio estratégico e de suporte a essa actividade; conseguirmos comunicar bem para o exterior, para todos os stakeholders, e até para dentro, os pontos fortes dessa actividade.
No ensino, destacam-se dois importantes desafios: a necessidade de aquisição de novas competências por parte dos estudantes, para assegurar a sua empregabilidade futura e a sua capacidade empreendedora; e a evolução do perfil dos estudantes, dado que as novas gerações têm expectativas diferentes, procuram experiências de aprendizagem mais flexíveis, currículos inovadores e a melhor combinação possível do ensino presencial, digital e prático. A NOVA tem respondido a este desafio através da modernização dos seus programas académicos, da aposta no ensino interdisciplinar, da criação de oportunidades de mobilidade internacional e do estímulo à inovação pedagógica.
Na investigação, os maiores desafios serão assumir sempre a agenda internacional do conhecimento, que hoje em dia é global, perder o espírito de competição “pequenina” e a cultura de silos em prol do espírito de colaboração ambiciosa, estando presente nas melhores redes internacionais, desde logo europeias e captar financiamentos para grandes projectos que respondam, com conhecimento novo, aos grandes desafios dos nossos tempos.
Na inovação, os maiores desafios são manter sempre o diálogo aberto com empresas e sector público, para garantir o estabelecimento de agendas colaborativas; e criar os incentivos necessários para motivar professores, investigadores e alunos a participarem activamente nesse diálogo.
A sustentabilidade financeira é também sempre um desafio central. Manter e expandir infraestruturas, investir em equipamento tecnológico de ponta, assumir projectos inovadores e garantir a qualidade da experiência académica exige um planeamento financeiro rigoroso e, não raro, uma elevada dose de criatividade para “fazer o impossível”. A NOVA tem apostado na diversificação das suas fontes de financiamento, procurando parcerias estratégicas. Esta abordagem permite que a universidade continue a crescer de forma sustentável.
De que forma é que a NOVA trabalha a reputação junto dos empregadores para garantir que os seus alunos são bem recebidos no mercado de trabalho?
Mais do que a sua reputação, a NOVA trabalha cuidadosamente as competências, hard e soft, dos seus alunos, envolvendo-os desde cedo com potenciais empregadores, garantindo que os seus alunos são bem recebidos e altamente valorizados no mercado de trabalho. Deste modo, são os alunos da NOVA e, muito particularmente, os antigos alunos, que são os seus melhores embaixadores.
Para isso, a NOVA aposta numa estratégia assente em parcerias com a sociedade e num ensino baseado no melhor conhecimento actualmente disponível, mas também orientado para a prática e para a inovação. Desde logo, a NOVA mantém uma relação estreita e activa com empresas e instituições de referência nos mais diversos sectores. Os estudantes são incentivados a participar em projectos reais, aplicando os conhecimentos adquiridos na universidade a desafios concretos do mundo empresarial. A ligação ao mercado de trabalho é ainda reforçada pela realização de feiras de emprego, workshops e palestras onde estudantes e empregadores podem interagir directamente. Segundo os dados mais recentes, a taxa de empregabilidade da NOVA é superior a 96%, com a maioria dos diplomados a encontrar emprego em áreas adequadas à sua formação num tempo muito curto.
De que forma a internacionalização e as respectivas parcerias contribuem para a reputação da NOVA?
A internacionalização é um dos pilares da NOVA. Através de parcerias estratégicas, programas de mobilidade e colaborações científicas, a NOVA posiciona-se como uma universidade global, atraindo talento de diversas partes do mundo e promovendo um ensino e investigação de excelência. Uma das principais formas como a internacionalização contribui para a reputação da NOVA é através da diversificação cultural e académica. Outro factor relevante é a permanente integração da internacionalização no percurso de professores, estudantes e técnicos, ao longo das suas carreiras na NOVA. Através de vários programas de mobilidade, todos têm a oportunidade de passar períodos em algumas das melhores universidades do mundo, o que fortalece o seu percurso profissional e, particularmente no caso dos estudantes, a sua empregabilidade.
Como é que a inovação e a investigação desenvolvidas na NOVA impactam a sua reputação e o reconhecimento global da instituição?
A NOVA afirma-se como uma universidade de referência através da inovação, da investigação de excelência e da colaboração interdisciplinar. Com 37 Unidades de Investigação & Desenvolvimento classificadas com Excelente ou Muito Bom por painéis internacionais, além da participação em 10 Laboratórios Associados, 15 Infraestruturas de Investigação – 80% das quais integradas em redes europeias – e 12 Laboratórios Colaborativos com as mais diversas empresas e sector público, a NOVA contribui para o avanço científico e tecnológico. Acresce a participação activa em redes internacionais e projectos europeus – no âmbito dos programas H2020 e Horizonte Europa a universidade já angariou cerca de 200 milhões de euros em projectos competitivos, com um número crescente de consórcios internacionais liderados pelos seus investigadores em várias áreas científicas. Destacam-se ainda as prestigiadas bolsas atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC) em que a NOVA lidera, per capita, a nível nacional com 38 projectos angariados, um sinal da investigação de excelência produzida na instituição, que ilustra o compromisso com a atracção e retenção de talento e amplia o impacto da instituição.
A NOVA aposta na valorização do conhecimento, promovendo parcerias com empresas e a criação de startups tecnológicas. Só em 2024 foram submetidos 25 novos pedidos de patente e reconhecidas três novas spin-offs. A aposta nesta área reflecte-se em cerca de 2 mil milhões de euros gerados por startups fundadas por antigos alunos nossos. Em 2024, foi com imenso orgulho que vimos uma tecnologia da NOVA, desenvolvida pela NOVA spin-off® CellmAbs, estar na base do maior acordo de transferência de tecnologia de sempre no campo da biotecnologia e ciências da vida com uma empresa portuguesa. Espera-se que este acordo celebrado com a multinacional BioNTech contribua para salvar vidas, com o primeiro medicamento português inovador para o tratamento de tumores sólidos a ir para o mercado.
A NOVA subiu para a posição 388 no QS World University Ranking de 2025. O que justifica esta ascensão e quais os factores que mais contribuíram para este progresso?
A subida da NOVA para a posição 388 no QS World University Ranking de 2025 reflecte uma estratégia focada na excelência académica, na investigação e na internacionalização. O aumento da produção científica e a elevada taxa de impacto das suas investigações reforçaram o prestígio da universidade. A expansão da sua rede de parcerias internacionais e a aposta em projetos europeus, contribuíram para uma maior notoriedade global.
Nos rankings da QS, a NOVA registou melhorias na Reputação Académica e Reputação junto de Empregadores. Que estratégias têm sido adotadas para impulsionar estes indicadores?
A NOVA não trabalha para rankings, trabalha para servir globalmente a sociedade através do conhecimento e para ter impacto positivo local e regionalmente. No que diz respeito à Reputação Académica, a universidade tem investido em investigação de ponta, promovendo a produção científica e a participação em redes internacionais, aumentando assim a visibilidade global. A qualidade do ensino, centrada na formação sólida de competências científicas e técnicas e sempre apoiada por formações em competências transversais e inovadoras, também contribui para uma muito boa percepção da nossa dimensão académica. A presença de ex-alunos em posições de destaque em empresas nacionais e internacionais e, em geral, na sociedade civil, também tem um impacto significativo, reforçando a imagem da universidade como formadora de pessoas íntegras, solidárias e com valores humanistas, profissionais altamente qualificados e preparados para os desafios do mercado global.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Reputação”, publicado na edição de Março (n.º 228) da Executive Digest.














