Universidade de Aveiro cria ponte científica com a China para estudar a saúde dos oceanos

Uma equipa de investigadoras do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA) deslocou-se a Xangai para reforçar a cooperação científica com o East China Sea Fisheries Research Institute (ECSFRI) e definir os próximos passos do projeto BE-SMART.

André Manuel Mendes

Uma equipa de investigadoras do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA) deslocou-se a Xangai para reforçar a cooperação científica com o East China Sea Fisheries Research Institute (ECSFRI) e definir os próximos passos do projeto BE-SMART.

Rosa Freitas, Seila Díaz Costas e Marta Cunha integram a equipa do CESAM envolvida nesta iniciativa, financiada pela Linha D do Programa Interno de Projetos PIP-CESAM, criado no âmbito da estratégia 2025-2029 do centro de investigação. Esta linha de financiamento apoia projetos desenvolvidos em conjunto com instituições de investigação asiáticas, através de cofinanciamento e mobilidade científica entre os dois continentes.

Coordenado por Rosa Freitas, investigadora do CESAM e professora do Departamento de Biologia da UA, o BE-SMART resulta da colaboração entre o CESAM e o East China Sea Fisheries Research Institute, da Chinese Academy of Fishery Sciences, sediado em Xangai.

O projeto aplica uma abordagem One Health para estudar o impacto de contaminantes emergentes em ambientes de aquacultura de bivalves e os potenciais riscos para a saúde humana. Entre as substâncias analisadas estão metais críticos, incluindo elementos de terras raras, metais associados a baterias e substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS).

A investigação pretende avaliar a distribuição ambiental, a bioacumulação e os riscos associados a estes contaminantes em zonas de aquacultura de bivalves. A abordagem cruza a qualidade dos ambientes costeiros com a saúde dos organismos marinhos utilizados como espécies sentinela — como amêijoas, ostras, berbigões e mexilhões — e os potenciais riscos para os consumidores através do consumo de marisco.

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A colaboração entre Portugal e China permitirá ainda harmonizar protocolos de amostragem e análise, possibilitando a comparação de diferentes níveis de contaminação e respostas biológicas em contextos ambientais e socioeconómicos distintos.

Durante a deslocação a Xangai, as investigadoras do CESAM apresentaram o projeto à equipa do ECSFRI e trabalharam na definição conjunta do plano de trabalho, das campanhas de amostragem e das ações de mobilidade científica. A visita incluiu reuniões técnicas, sessões de discussão metodológica e contactos destinados a consolidar a cooperação institucional entre as duas entidades.

Um dos principais objetivos do BE-SMART passa pela criação de uma rede transcontinental de biomonitorização baseada em bivalves, capaz de avaliar de forma integrada os riscos para os ecossistemas, os organismos marinhos e os consumidores.

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Para isso, o projeto prevê a quantificação de contaminantes emergentes na água, nos sedimentos e nos tecidos de bivalves em zonas costeiras de Portugal e da China. A equipa pretende também avaliar respostas ecofisiológicas e bioquímicas dos organismos e aplicar abordagens OMICS, nomeadamente metabolómica e transcriptómica, em locais representativos.

O projeto prevê ainda a criação do One Health Coastal Risk Index (OHCRI), um índice que deverá integrar numa única métrica dados ambientais, biológicos e relacionados com o risco para os consumidores. O objetivo é permitir a comparação de diferentes zonas costeiras na Europa e na Ásia.

A iniciativa enquadra-se na estratégia de internacionalização do CESAM e na aposta em projetos que cruzam diferentes áreas científicas e instituições internacionais. O PIP-CESAM, estruturado em quatro linhas de financiamento, apoia projetos transversais entre Linhas Temáticas e Clusters de Investigação, a preparação de candidaturas ao European Research Council, iniciativas com parceiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e projetos conjuntos com instituições asiáticas.

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