Por Marlene Gaspar, diretora da LLYC para as áreas de Digital e Engagement
Nem sempre aquilo que os líderes percecionam como o valor que acrescentam ao desempenho e à motivação dos seus colaboradores corresponde, de facto, àquilo que as equipas sentem que faz a diferença (para melhor) no seu dia-a-dia. Como mostra o estudo da consultora Accenture – Getting to Equal 2020: The Hidden Value of Culture Makers – que inclui o testemunho de empresas de 28 países, embora 70% dos líderes acredite que contribui para criar ambientes de trabalho integradores e estimulantes, só 40% dos colaboradores está de acordo.
Perante este gap, levanta-se a questão: como podem as chefias ser mais inspiradoras e eficazes na gestão do seu talento? Desde logo, importa rever o próprio conceito de liderança. Tradicionalmente, estamos habituados a que numa empresa sejam os quadros superiores os motores da inovação, a fonte de respostas e os responsáveis por criar a visão corporativa que “guia” a força de trabalho. Contudo, este é um modelo já ultrapassado, pois a era atual é de colaboração, inclusive na liderança.
Aquilo que hoje se espera dos líderes de amanhã é que envolvam a engrenagem da sua organização como um todo para em conjunto criarem uma cultura propícia à inovação. Este modelo de liderança não é novo – já foi identificado por vários autores como collective genius – mas tem vindo a evoluir progressivamente de tendência a realidade, posto já em prática em empresas como a Pixar, HCL Technologies, Volkswagen, Pentagram, eBay ou a Google.
A coletividade na liderança parte da premissa de que todas as pessoas têm um lado criativo e que até os colaboradores “mais comuns” são capazes de feitos extraordinários. A missão dos líderes torna-se assim evidente: encontrar e potenciar a genialidade e os talentos únicos das suas equipas, de forma a que cada pessoa contribua para o tal “génio coletivo”. É num ambiente cooperativo e colaborativo entre o topo e a base de uma organização e numa aprendizagem que também resulta da descoberta individual que nascem as melhores ideias que dão origem à verdadeira inovação.
Recuperamos uma expressão do empresário e autor Jack Canfield, originalmente do seu livro Os Princípios do Sucesso, que resume em poucas palavras a filosofia por detrás dos novos líderes: “Ser estudante com as pessoas acima de si, professor com as que estão abaixo e companheiro de viagem com as que estão ao mesmo nível”. Nesta perspetiva de liderança coletiva, os níveis superiores e inferiores de uma empresa não se definem pela posição hierárquica ou pelo cargo que uma pessoa ocupa, senão pela experiência, know-how e genialidade que cada um tem – sejam líderes ou não – em determinadas áreas de especialidade. É precisamente num ambiente onde o todo é maior do que a soma das partes e onde a interação entre os diferentes talentos acontece sem barreiras que se fomenta a inovação que acrescenta vantagem competitiva às empresas.




