O spread médio aplicado aos empréstimos a empresas diminuiu acentuadamente desde 2012, em resultado de custos de financiamento mais baixos para os bancos, concorrência acrescida no mercado de crédito e uma progressiva melhoria da atividade económica, revela um estudo das analistas do Banco de Portugal (BdP) Diana Bonfim, Luísa Farinha e Leonor Queiró.
No entanto, as especialistas apontam que “a dispersão dos spreads também se reduziu, mas manteve-se elevada. O risco dos devedores e as características dos empréstimos são os principais determinantes desta dispersão”.
Esta dispersão também é visível quando se comparam as taxas de juro aplicadas por diferentes bancos a empréstimos com características semelhantes concedidos à mesma empresa.

Utilizando dados detalhados sobre empresas, bancos e empréstimos concedidos entre 2012 e 2019, a análise regressão sugere “que existe uma relação positiva entre o capital regulamentar dos bancos e os spreads aplicados a uma mesma empresa”.
Este resultado, que se aplica, no entanto, apenas a empresas com uma classificação de risco melhor do que a mediana, empresas em todas as classes de dimensão exceto as microempresas e empresas com mais de duas relações bancárias e apenas no período a seguir à crise de dívida soberana da área do euro, “é consistente com a ideia de que os bancos mais capitalizados fazem maior seleção e monitorização dos seus clientes”, conclui o estudo.





