Um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN) admitiu que a adesão à greve na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) está hoje aquém do que esperava.
O STRUN convocou para hoje, terça-feira e duas primeiras horas de quarta-feira uma greve dos motoristas, em apoio da reivindicação de um reforço do salário base de 715 para 730 euros, mas, numa volta pela cidade do Porto, a agência Lusa constatou que havia muitos autocarros em circulação, embora também anormais filas de passageiros nas paragens à espera de transporte.
Confrontado com esta observação, o dirigente do STRUN Manuel Alves reconheceu que a adesão “nem por isso” corresponde às expectativas sindicais e atribuiu o facto a um certo cansado da multiplicação de paralisações.
Questionado sobre se crê que a STCP pode ceder à reivindicação do sindicato, Manuel Alves declarou: “Tudo pode acontecer, mas acho que não arrear [ceder]”.
Nessa eventualidade, os passos a seguir serão dados em plenário de trabalhadores.
“Será o que o pessoal decidir”, afirmou.
A agência Lusa aguarda eventuais esclarecimentos da administração da operadora de transportes urbanos do Grande Porto sobre os efeitos da paralisação e sobre se vai ou não ceder quanto ao pretendido reforço salarial.
A greve agora iniciada surge na sequência de um plenário de finais de agosto que alargou até hoje o prazo para a empresa chegar a acordo para um aumento salarial.
Um dia depois, foi emitido pré-aviso para a greve agora em curso.
Em resposta a pedido de comentário da Lusa então formulado, a administração da STCP disse manter-se “fiel ao acordo assinado, em julho passado, com quatro sindicatos representativos da maioria dos trabalhadores da empresa e não deixará que estes acontecimentos prejudiquem o processo negocial que está a ser trabalhado”.
Sobre a indicação de “novas greves promovidas pelo único sindicato que recusou assinar o acordo”, a transportadora disse entendê-las “como inevitáveis até à data da realização das eleições autárquicas, tendo em consideração a lógica que as tem presidido”.
A gestão da STCP é, desde o início do ano, assumida pelos municípios do Porto, Gaia, Gondomar, Matosinhos, Valongo e Maia.



