Randstad Insight: Employer Brand Research 2019

O crescimento do sector da saúde e bem-estar está a forçar os líderes de capital humano a encontrar uma variedade maior de competências

Cuidar do bem-estar da sociedade é algo que os colaboradores do sector das ciências da vida fazem todos os dias. Ao adiantarem diagnósticos e terapias com maior rapidez e mais eficácia, estes profissionais apoiam a missão das suas empresas numa era de crescente longevidade. Com o sector a expandir-se rapidamente, a procura por melhores produtos e serviços está a forçar os líderes de capital humano a encontrar uma variedade maior de competências para acompanhar as necessidades dos pacientes em todo o lado.

Não é uma tarefa fácil. A escassez de talentos é uma das grandes preocupações estratégicas para os executivos do sector, e a pressão para diminuir o défice de competências só aumentará à medida que os consumidores procuram viver mais e permanecer mais activos. As empresas de ciências da vida enfrentam uma maior procura de tratamentos inovadores.

Isso exige que o sector melhore a sua capacidade de atrair e reter grandes talentos. O Randstad Employer Brand Research 2019 confirma que, embora os trabalhadores das ciências da vida estejam felizes em trabalhar no sector, aqueles que estão fora dele não estão familiarizados com os maiores empregadores do sector. Uma razão é que empresas como as farmacêuticas são mais conhecidas pela sua marca de medicamentos do que pela brand corporativa.

Além disso, como muitas operam sob vigilância regulatória em todo o mundo, essas empresas não tornaram intencionalmente os seus locais de trabalho transparentes, dificultando que as possíveis contratações aprendam mais sobre elas.

Nestes tempos de crescente escassez de talentos, porém, as empresas das ciências da vida devem apresentar-se com maior transparência ao mercado e oferecer propostas de valor mais fortes para os colaboradores, especialmente quando passam por uma transformação digital. Não fazer isso pode resultar na perda de vantagem competitiva, isto quando novos nomes vindos de outros sectores – Google e Apple, por exemplo – se tentam expandir.

Embora seja visto como um sector de emprego atractivo entre adultos em idade activa em todo o mundo – as ciências da vida estão em quarto lugar após TI e comunicações, bens de consumo e automóvel, por ordem decrescente –, a nossa pesquisa também mostra que há uma rotatividade considerável entre os seus colaboradores. De facto, 30% dos que trabalham no sector pesquisado afirmam planear mudar de emprego nos próximos 12 meses; 20% disseram que já tinham trocado de emprego no ano passado.

Então, como podem as empresas de produtos farmacêuticos, biofarmacêuticos, dispositivos médicos e outras do sector aumentar a sua atractividade como empregadores de preferência? Como podem preencher cargos tradicionais como gestores de estudos clínicos, colaboradores de pesquisas e gestores de regulação, e especialistas digitais, como engenheiros do DevOp, cientistas de dados e gestores de redes sociais?

Colaboradores do sector afirmam que os maiores empregadores das ciências da vida são os melhores a oferecer estabilidade financeira, a mais recente tecnologia e estabilidade profissional, mostram os nossos dados. Esses benefícios indicam que o sector oferece carreiras longas aos seus colaboradores. Ao oferecer estabilidade, segurança e acesso à inovação, o sector apresenta alguns benefícios valorizados por muitos colaboradores.

No entanto, acaba por falhar quando se trata de fornecer o EVP mais importante para os trabalhadores do sector: remuneração e benefícios actractivos. Comparados com outros sectores, os colaboradores das ciências da vida dão prioridade à remuneração como a qualidade mais actractiva, com uma taxa mais alta (65% dizem que é um factor decisivo na escolha do emprego, em comparação com os 59% dos outros sectores).

Aumentar a remuneração ajudaria o sector a atrair e reter talentos? Isso por si só não o fará, pois os salários são apenas um factor.

Os empregadores das ciências da vida precisam de se concentrar em esclarecer o seu EVP para que não acabem numa guerra com empregadores de outros sectores. Proporcionar um bom equilíbrio entre vida profissional e pessoal, um ambiente agradável de trabalho e progressões claras estão entre as principais exigências dos colaboradores.

A promoção desses valores é apenas uma maneira de se tornarem mais atractivas para o talento. Ser claro em relação à missão, cultura e valores certamente aumentará o apelo das empresas de ciências da vida e ajudará a construir uma via sustentável de talentos para o futuro.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 163 de Outubro de 2019

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